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Irmã de Vorcaro relata ameaças na prisão e diz que banqueiro quer revelar tudo sobre o caso Master

Por Brasil no Centro Publicado em 16 de outubro de 2026 às 13:41 5 min de leitura
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Irmã de Vorcaro relata ameaças na prisão e diz que banqueiro quer revelar tudo sobre o caso Master

Um áudio divulgado pela revista VEJA trouxe novas informações sobre a situação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no Complexo da Papuda, em Brasília, e investigado por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Na gravação, sua irmã, a advogada Natália Vorcaro Zettel, afirma que ele teme ser transferido novamente para um presídio federal de segurança máxima e deseja revelar informações sobre supostos pagamentos irregulares a autoridades públicas.

A reportagem, assinada pelo jornalista Robson Bonin e publicada em 15 de outubro, apresenta o relato de Natália sobre o estado emocional do irmão e as dificuldades enfrentadas nas negociações de um possível acordo de colaboração premiada.

Segundo ela, Vorcaro demonstra preocupação com a possibilidade de retornar à Penitenciária Federal de Brasília, onde permaneceu durante 13 dias. Natália afirma que o irmão relatou condições inadequadas de encarceramento, incluindo dificuldades de acesso à alimentação, água e contato externo.

As alegações de maus-tratos foram apresentadas pela irmã do banqueiro e não constituem comprovação de que as supostas violações tenham ocorrido. A reportagem também não apresenta uma conclusão oficial sobre essas denúncias.

Atualmente, Vorcaro está detido na unidade conhecida como Papudinha, onde recebe visitas de advogados e familiares. De acordo com a VEJA, pessoas que tiveram contato com o ex-controlador do Master relataram aumento de sua preocupação após a divulgação de reportagens sobre os possíveis desdobramentos de uma delação.

A irmã afirma que o banqueiro deseja apresentar novas informações às autoridades e fornecer documentos relacionados a negócios realizados durante o período em que comandava a instituição financeira.

As negociações, entretanto, enfrentam dificuldades. Segundo a revista, duas propostas anteriores de colaboração não avançaram porque os órgãos responsáveis consideraram insuficientes os elementos apresentados.

As informações que Vorcaro pretende revelar envolveriam supostos pagamentos a figuras públicas e a atuação de intermediários em operações com fundos de pensão de empresas estatais.

Uma das acusações divulgadas anteriormente pela VEJA envolve o suposto repasse de R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dirigido pelo cineasta Oliver Stone, além de valores não especificados destinados ao Instituto Lula.

A revista atribui essas declarações a gravações de Vorcaro. Entretanto, as acusações ainda não foram comprovadas, e a equipe do documentário negou ter recebido recursos do ex-banqueiro. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República também informaram não ter recebido provas suficientes para sustentar essas alegações em um acordo de colaboração.

A reportagem menciona ainda a existência de mensagens e registros de contatos com intermediários que buscavam aproximar o Banco Master de dirigentes de fundos como Previ, Petros e Postalis.

Entre os nomes citados está Alexandre Padilha (PT), que ocupou o Ministério das Relações Institucionais do governo Lula. Segundo a VEJA, um interlocutor identificado como Júlio teria participado de articulações para viabilizar encontros entre o banqueiro e representantes dessas instituições.

Registros oficiais também indicariam visitas ao Palácio do Planalto. A existência de reuniões, entretanto, não comprova que os participantes tenham praticado irregularidades ou recebido pagamentos ilícitos.

A irmã de Vorcaro também relaciona o receio do banqueiro à repercussão das denúncias sobre sua vida pessoal e às disputas envolvendo a divulgação de informações de suas negociações judiciais.

Segundo o relato, ele teria cogitado adiar novas revelações até depois do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

A possibilidade de colaboração premiada envolve ainda outros integrantes de sua família. O cunhado Fabiano Zettel e o pai, Henrique Vorcaro, também foram alcançados pelas investigações, enquanto Natália acompanha as estratégias adotadas pelos advogados responsáveis pelas defesas.

A divulgação dos áudios provocou reações políticas. Integrantes do PT passaram a discutir medidas para identificar a origem das gravações atribuídas ao ex-banqueiro, levantando dúvidas sobre a forma como foram produzidas e sobre sua utilização durante a campanha eleitoral.

A defesa de Vorcaro confirmou à VEJA a identidade da voz em gravações divulgadas anteriormente. A revista também informou ter submetido o material a uma perícia particular que não identificou sinais técnicos de manipulação. Essa avaliação, contudo, não comprova a veracidade das acusações apresentadas pelo banqueiro.

O caso permanece sob investigação, e a eventual colaboração dependerá da apresentação de informações verificáveis e de provas capazes de confirmar os fatos relatados.

Até o momento, não há confirmação de que uma terceira proposta de delação tenha sido aceita pelas autoridades responsáveis.