
O prefeito de Maceió, JHC (PSDB), já oficializou sua saída do PL e deve anunciar nos próximos dias sua filiação ao PSDB, em um movimento que redesenha o cenário político de Alagoas e marca o início de um projeto próprio ao governo do estado.
A decisão ocorre após o PL optar por priorizar a candidatura do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) ao Senado, esvaziando o espaço político do prefeito dentro da legenda. O recado ficou evidente no lançamento da pré-candidatura de Lira nesta semana, marcado por ausências relevantes: além de JHC, também não compareceu o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), outro nome forte na disputa.
Nos bastidores, a avaliação é de que a federação União Progressistas, somada ao PL, caminha para consolidar apoio a Lira, reduzindo o espaço para candidaturas alternativas dentro do mesmo campo político. Diante desse cenário, JHC antecipou o movimento e buscou uma legenda onde possa exercer comando e construir sua própria base.
O destino escolhido é o PSDB, partido que em Alagoas carrega o legado da família Vilela, sob liderança de Teotonio Vilela Filho (PSDB). A chegada do prefeito recoloca a sigla no centro do jogo estadual e se conecta ao processo de reorganização nacional conduzido por Aécio Neves (PSDB-MG), que tem ampliado a presença tucana com nomes competitivos nos estados.
Mais do que uma troca partidária, a movimentação revela a tentativa de ocupação de um espaço político ainda aberto em Alagoas. De um lado, Arthur Lira consolida seu projeto ao Senado com apoio de partidos do centrão. De outro, a esquerda permanece estruturada em torno da família Calheiros, com o ministro Renan Filho (MDB-AL) como principal nome ao governo e a reeleição do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como prioridade.
É nesse ambiente que JHC busca se posicionar como alternativa fora da polarização local, apostando na construção de um campo de centro com identidade própria e foco em gestão.
A estratégia inclui a formação de uma chapa competitiva. A primeira-dama Marina Candia aparece como nome cotado tanto para o Senado quanto para a Câmara dos Deputados, reforçando o núcleo político mais próximo do prefeito.
Outro movimento relevante envolve a senadora Eudócia Caldas (PL-AL), que também deve deixar o PL e migrar para o PSDB. Caso se confirme, a mudança amplia o peso político da legenda em Brasília e fortalece a estrutura do novo projeto também no Senado.
Nos bastidores, JHC já iniciou articulações para atrair prefeitos, vereadores e lideranças locais para o PSDB, com o objetivo de montar chapas proporcionais competitivas e consolidar uma base própria para 2026.
A reorganização também passa pela possível aproximação com Alfredo Gaspar (União-AL). Relator da CPMI do INSS e um dos principais nomes de oposição ao governo Lula, Gaspar lidera pesquisas para o Senado, mas pode ficar sem espaço no arranjo político liderado por Lira. Com convites do Podemos e do NOVO, ele também surge como potencial aliado no projeto liderado por JHC.
Ao deixar o PL e avançar para o PSDB, JHC transforma a perda de espaço em reposicionamento estratégico. A movimentação amplia o grau de incerteza na disputa em Alagoas e inaugura um terceiro eixo competitivo no estado, fora dos blocos tradicionais que dominam a política local.