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Opinião

Jorge Lopes Cançado: “A nova geração tucana que emerge das urnas”

Por Jorge Lopes Cançado Publicado em 9 de outubro de 2026 às 14:35 6 min de leitura
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Jorge Lopes Cançado: “A nova geração tucana que emerge das urnas”

Depois de anos de perdas, debandadas e redução de sua representação política, havia dúvidas até sobre a capacidade de montar chapas competitivas e superar a cláusula de desempenho em 2026.

Era um partido do qual muitos queriam sair e para o qual poucos queriam entrar.

Foi nesse cenário que Aécio Neves assumiu a presidência nacional do PSDB, há apenas dez meses. Seria impossível reconstruir nesse período aquilo que o partido perdeu ao longo de praticamente uma década. A primeira missão era mais urgente: interromper o processo de esvaziamento.

As urnas permitem agora enxergar os primeiros resultados desse trabalho.

Em Alagoas, JHC, 39 anos, chegou ao PSDB e foi eleito governador. Marina, 35, também se filiou e conquistou uma cadeira no Senado.

Léo Bezerra, 43, prefeito de João Pessoa, e Igor Normando, 39, prefeito de Belém, passaram a integrar o partido. Vicentinho Júnior, 41, chegou ao PSDB e agora disputa o segundo turno para o governo do Tocantins.

Juscelino Filho, 41, se reelegeu deputado federal no Maranhão. Muniz Filho, de apenas 25 anos, foi eleito para a Câmara na Bahia, ao lado de Adolfo Viana, 45, uma das lideranças que permaneceram no partido durante seus momentos mais difíceis.

Iratã Abreu, 40, também conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Tocantins.

No Rio de Janeiro, a reorganização partidária resultou numa bancada federal formada por Luciano Vieira, 38, Marcelo Queiroz, 41, Talita Galhardo, 43, e Juninho do Pneu, 49.

Em São Paulo, onde o partido havia assistido à saída de todos os seus deputados federais, Paulo Serra, 53, recebeu a missão de reorganizar o PSDB paulista e saiu das urnas eleito para a Câmara.

Quando observados isoladamente, são movimentos eleitorais. Colocados lado a lado, revelam algo maior: o PSDB que saiu das urnas é mais jovem do que aquele que entrou nesse processo de reconstrução.

E essa renovação não ficou restrita à Câmara dos Deputados.

Nas Assembleias Legislativas, uma nova geração tucana também começou a surgir.

No Acre, Leôncio Castro, 47 anos. Em Alagoas, Tenorinho Malta, 36, e Lucas Barbosa, 31. Na Bahia, Tiago Correia, 46, e Jordavio Ramos, 32. No Ceará, Felipe Vasques, 34, e Davi Benevides, 36.

Em Goiás, José Machado, 47, e Gustavo Sebba, 39. Em Minas Gerais, Maria Clara Marra, 27. No Mato Grosso, Chico Guarnieri, 50. No Rio de Janeiro, Léo Vieira Filho, 28. No Rio Grande do Norte, Gustavo Soares, 49. No Rio Grande do Sul, Moisés Barboza, 48. Em São Paulo, Ana Carolina Serra, 47. E, no Tocantins, Jorge Frederico, 44.

São 16 deputados estaduais com até 50 anos, distribuídos por 11 estados brasileiros.

Somados aos deputados federais, prefeitos de capitais, governador e senadora, esses nomes começam a formar uma geração que pode devolver ao PSDB aquilo que lhe faltou durante os últimos anos: perspectiva de futuro.

Talvez esse seja o aspecto mais importante do trabalho conduzido por Aécio até aqui.

A reconstrução de um partido começa quando lideranças competitivas voltam a enxergar nele um lugar onde vale a pena construir uma trajetória política.

Há um ano, o movimento era de saída. Em dez meses, essa direção começou a mudar.

Sobreviver foi apenas o primeiro passo

Nada disso significa que o PSDB já tenha recuperado o espaço que perdeu. Está longe disso.

Mas seria igualmente equivocado analisar o resultado de 2026 ignorando o ponto de partida.

A sobrevivência institucional era a primeira missão. Agora começa uma etapa mais difícil: transformar renovação de quadros em renovação política.

Não basta reunir novos nomes. É preciso dar protagonismo a eles, reconstruir a presença do partido nos municípios e recuperar sua capacidade de dialogar com a sociedade.

Durante décadas, havia um eleitor que sabia explicar por que era tucano. Responsabilidade fiscal, estabilidade econômica, modernização do Estado, educação, políticas sociais responsáveis e defesa das instituições democráticas formavam uma identidade política reconhecível.

A polarização reorganizou esse eleitorado e transformou boa parte do debate público numa disputa permanente sobre quem precisa ser derrotado.

Existe uma pergunta que o PSDB terá de responder: por que alguém deveria escolher o partido hoje?

A resposta não pode estar apenas na memória de Fernando Henrique, Mário Covas, Franco Montoro ou das grandes administrações tucanas. Esse legado é um patrimônio importante, mas precisa dialogar com os desafios do presente.

Também não basta definir o partido por aquilo que ele não é. Nenhuma organização política constrói uma identidade duradoura apenas afirmando que não pertence a um dos extremos.

É preciso recuperar um propósito que parece ter se perdido no ambiente político brasileiro: a ideia de que a política existe para melhorar a vida das pessoas, não apenas para odiar quem pensa diferente.

E é justamente aí que a nova geração tucana pode fazer a diferença.

São lideranças que chegam com experiências próprias, novas linguagens e trajetórias construídas em realidades distintas do país. Dar espaço a esses quadros significa permitir que participem da formulação de um projeto político capaz de combinar a experiência acumulada pelo PSDB com as demandas de uma sociedade que mudou profundamente.

O desafio da direção nacional será transformar essa renovação em identidade, organização e presença territorial. As eleições municipais de 2028 serão uma etapa importante desse processo, com a oportunidade de ampliar a representação do partido nas prefeituras e câmaras municipais.

O trabalho iniciado em 2026 demonstra que ainda existe espaço para construir um novo capítulo da história tucana. Mas seu sucesso dependerá menos da capacidade de recuperar o passado e mais da coragem de construir algo que faça sentido para as próximas gerações.

O PSDB já tem novos nomes. Agora precisa construir, com eles, um novo futuro.


Jorge Lopes Cançado é filiado ao PSDB desde 2019, sócio da Excelsior Comunicação Digital, psicanalista e especialista em marketing político, com vasta experiência na análise de cenários e na criação de narrativas estratégicas para partidos e lideranças políticas.