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Política

Kalil articula Aécio e Aro em chapa ao Senado e se afasta de ser palanque de Lula em Minas

Por Brasil no Centro Publicado em 2 de junho de 2026 às 10:55 4 min de leitura
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Kalil articula Aécio e Aro em chapa ao Senado e se afasta de ser palanque de Lula em Minas

O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) consolida sua posição como pré-candidato ao governo de Minas Gerais em um cenário eleitoral polarizado. Segundo a pesquisa Doxa mais recente, Kalil figura em segundo lugar nas intenções de voto, com 24%, atrás apenas de Cleitinho (Republicanos), que aparece com 30%. O governador Mateus Simões (PSD) pontua 7%, bem distante do segundo colocado. Esses números indicam que Kalil pode chegar ao segundo turno sem depender de apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estratégia que o próprio pré-candidato busca evitar para não limitar seu crescimento.

Diante desse panorama, Kalil tem intensificado negociações para fortalecer sua chapa ao Senado com nomes que ampliem sua capilaridade política e eleitoral. Entre os aliados mais cotados estão o ex-governador Aécio Neves (PSDB), respeitado entre lideranças do interior, e o ex-secretário da Casa Civil do Estado, Marcelo Aro (Progressistas), que acumulou influência durante o governo Zema e mantém relações com centenas de prefeitos. Aro já foi aliado de Kalil durante sua gestão em Belo Horizonte, e sua participação na chapa ajudaria a ampliar o diálogo com a centro-direita e setores do interior que não compram a candidatura de Mateus Simões.

A articulação passa ainda pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), que preside a federação União-Progressistas no estado e tem divergências públicas com o governador Simões. O União Brasil também aparece como peça estratégica nesse movimento. O presidente estadual da legenda, deputado federal Rodrigo de Castro (MG), aliado histórico de Aécio Neves, avalia caminhos para afastar a federação do palanque governista de Simões, e o projeto Kalil surge como opção viável. Além disso, a federação União-Progressistas poderia indicar o candidato a vice na chapa de Kalil, reforçando ainda mais a força eleitoral da aliança. O alinhamento com Aro, segundo interlocutores, poderia consolidar o afastamento da federação do palanque governista, ao mesmo tempo em que viabilizaria o projeto de terceira via de Kalil. No momento, Marcelo Aro mantém compromisso com a candidatura de Simões, mas a filiação do senador Carlos Viana ao PSD e a disputa por espaço na chapa podem alterar a configuração, abrindo brecha para que Aro se incorpore ao projeto de Kalil.

Kalil manteve contatos recentes com o presidente do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel (MG), e recebeu sinal verde para avançar nas negociações desde que não sirva de palanque para Lula. O ex-prefeito também jantou com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que busca com insistência atrair Kalil para integrar a campanha do presidente no estado. Sem a adesão de Kalil, o PT pode ser obrigado a lançar candidatura própria, avaliando nomes como o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos. Outra alternativa em estudo seria Josué Gomes (PSB), empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, filho do ex-vice-presidente José Alencar.

Nos bastidores, aliados de Kalil afirmam que o pré-candidato está confiante em alcançar o segundo turno sem depender do apoio do governo federal. “Se eu estiver com Lula no primeiro turno, coloco um teto no meu crescimento”, teria afirmado o ex-prefeito, segundo interlocutores. A intenção é construir uma candidatura robusta e independente, capaz de unir o eleitorado de centro e parte da direita que não se identifica com Cleitinho, ampliando base eleitoral e recursos para a disputa.

Em busca de viabilizar sua campanha, Kalil aposta em ampliar a representação política em Minas, equilibrando a presença de figuras com trânsito no interior e capacidade de mobilização regional. Caso consiga agregar Aécio Neves e as bases do União Brasil e do Progressistas, o ex-prefeito terá a estrutura necessária para enfrentar Cleitinho de igual para igual, além de consolidar a construção de uma candidatura independente tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro (PL), evitando limitações impostas por alianças com os extremos.

A definição final sobre o apoio de Aro e o envolvimento de outros aliados estratégicos deve ocorrer nas próximas semanas, enquanto Kalil mantém diálogo com lideranças locais e nacionais, visando garantir competitividade em todas as regiões do estado e reforçar seu posicionamento como alternativa viável no pleito de 2026.