Lideranças evangélicas querem trocar Flávio por Caiado, após áudio pedindo dinheiro

Crise envolvendo Daniel Vorcaro amplia desgaste de Flávio Bolsonaro e provoca divisão inédita no campo conservador

Lideranças evangélicas querem trocar Flávio por Caiado, após áudio pedindo dinheiro

O desgaste provocado pelas revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro começou a produzir efeitos concretos dentro do segmento evangélico, considerado um dos pilares mais estratégicos da direita brasileira nas últimas eleições. Nos bastidores, importantes lideranças religiosas já discutem a possibilidade de migrar apoio político para o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), diante do impacto negativo causado pelo caso.

A crise ganhou força após a divulgação de mensagens e áudios nos quais Flávio aparece cobrando recursos milionários para a produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O projeto cinematográfico teria recebido cifras elevadas ligadas ao empresário investigado no caso Banco Master, situação que aumentou o desconforto entre pastores influentes e articuladores políticos do segmento conservador.

Nos grupos reservados que reúnem lideranças evangélicas nacionais, o clima passou de cautela para forte irritação. Segundo relatos de interlocutores próximos dessas conversas, o principal problema não foi apenas o pedido de recursos privados, mas a contradição pública envolvendo a relação de Flávio com Vorcaro. Até pouco tempo, o senador afirmava não possuir proximidade com o empresário.

A repercussão reacendeu dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro como herdeiro político natural do bolsonarismo em 2026. Entre os nomes avaliados como alternativa, Ronaldo Caiado aparece hoje como opção mais sólida para parte da ala evangélica moderada, sobretudo por transmitir imagem de gestor experiente e perfil menos associado às turbulências recentes da família Bolsonaro.

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também segue no radar de setores da centro-direita e de lideranças religiosas, embora ainda desperte menos entusiasmo entre os grupos que articulam um novo eixo conservador para as eleições presidenciais.

A crise interna evidencia uma fragmentação crescente no campo da direita brasileira. Enquanto Jair Bolsonaro segue inelegível, aliados tentam reorganizar o tabuleiro político sem uma liderança de consenso. Pastores influentes passaram a defender mais prudência antes de anunciar apoios públicos, temendo novos desdobramentos envolvendo o caso Banco Master.

O pastor Silas Malafaia, que vinha demonstrando resistência à candidatura de Flávio, já havia sinalizado nos bastidores preocupação com a falta de densidade eleitoral do senador. Outros nomes relevantes do segmento evangélico também passaram a tratar o cenário com cautela, aguardando os próximos capítulos das investigações.

Dentro desse ambiente, cresce a avaliação de que o eleitor conservador busca nomes capazes de manter o discurso de oposição ao governo Lula sem repetir práticas que historicamente foram criticadas pela própria direita. O episódio acabou fortalecendo setores que defendem uma reconstrução mais moderada e institucional do campo conservador, distante tanto do radicalismo ideológico quanto das crises sucessivas que desgastam lideranças tradicionais.