PL ignora Michelle e apoiará Ciro Gomes contra o PT no Ceará

Apoio articulado por André Fernandes consolida frente anti-petista no estado e expõe divisão interna no bolsonarismo para 2026

PL ignora Michelle e apoiará Ciro Gomes contra o PT no Ceará

O cenário político do Ceará ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira com a oficialização da aproximação entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual. Mesmo após críticas públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), a legenda decidiu avançar nas negociações e confirmou apoio ao tucano em uma articulação conduzida pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente estadual do partido.

O anúncio foi feito em vídeo publicado nas redes sociais pelo parlamentar cearense, que adotou um discurso de união estratégica para impedir a continuidade do grupo político ligado ao governador Elmano de Freitas (PT). André Fernandes reconheceu divergências históricas com Ciro Gomes, mas afirmou que o momento exige convergência entre forças políticas de oposição ao projeto petista no Ceará.

Ao justificar a decisão, o deputado afirmou que a construção de uma candidatura própria pelo PL poderia ser mais confortável politicamente, mas ressaltou que a prioridade passou a ser a formação de uma frente ampla capaz de enfrentar o atual grupo governista. A fala foi interpretada nos bastidores como um movimento pragmático da direita e do centro democrático no estado.

A consolidação da aliança ocorre após semanas de tensão interna no PL. Michelle Bolsonaro havia demonstrado resistência à aproximação com Ciro Gomes, resgatando declarações antigas do ex-ministro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama também vinha defendendo o nome do senador Eduardo Girão (Novo-CE) como alternativa conservadora para a disputa estadual.

As críticas de Michelle chegaram a desacelerar as conversas entre o partido e o tucano, mas o diálogo foi retomado nos últimos dias diante da avaliação de lideranças locais de que a união entre diferentes campos da oposição poderia aumentar as chances de derrota do PT no Ceará. O entendimento ganhou força especialmente após pesquisas internas apontarem desgaste do governo estadual e fragmentação das candidaturas oposicionistas.

No PSDB, a movimentação também é vista como estratégica. Ciro Gomes vinha sendo incentivado por lideranças tucanas nacionais, entre elas Aécio Neves, a retornar ao protagonismo eleitoral em 2026. Embora tenha descartado disputar novamente a Presidência da República, o ex-ministro manteve abertas as negociações regionais e passou a concentrar esforços na política cearense.

A aliança entre PL e PSDB no Ceará evidencia um redesenho das forças políticas fora dos polos ideológicos mais radicais. Em meio ao desgaste do governo federal e às dificuldades de articulação da direita nacional, setores do centro e do conservadorismo moderado passaram a defender composições regionais mais amplas para enfrentar o avanço petista nas eleições estaduais.

Nos bastidores, interlocutores avaliam que o movimento no Ceará pode servir de modelo para outras alianças em 2026, especialmente em estados onde a fragmentação da oposição favorece candidaturas alinhadas ao Palácio do Planalto.