
No ultimo quarto de século o Brasil e o estado do Espirito Santo percorreram trajetórias políticas e institucionais muito diferentes.
A derrota de José Serra na eleição presidencial de 2002, tendo a capixaba Rita Camata como vice em sua chapa, representou a interrupção de um processo de mudança estrutural visando a implantação de um projeto de país democrático e contemporâneo, estável economicamente e integrado de forma soberana e competitiva ao mercado mundial.
Iniciou-se ali um ciclo de populismo radicalizado marcado pela luta pelo poder a qualquer custo, por sucessivas crises institucionais, impeachment de presidente e risco concreto de golpe militar.
O lulo-petismo e o bolsonarismo são faces da mesma moeda marcada pelo predomínio da agenda extremista anti sistema, que se move pela demagogia e se nutre da desesperança da população e do descrédito nas instituições da democracia.
O PSDB nunca se conformou com esta realidade e sempre lutou contra, sendo derrotado em quatro eleições presidenciais seguidas até a polarização extremista se consolidar em 2018. O Brasil perdeu!
No Espirito Santo, também em 2002, formou-se uma ampla frente política liderada por Paulo Hartung que chegou ao governo do estado filiado ao PSB, partido presidido por Renato Casagrande, tendo em sua aliança o PSDB junto com todos os partidos aliados do governo FHC.
Em 2002, o estado escapou por pouco de sofrer intervenção federal tal a desordem financeira, fiscal e institucional com salários atrasados e ambiente econômico e social destroçado.
Com a vitória eleitoral da frente capixaba inicia-se no governo do estado um ousado trabalho político e administrativo, articulado com a Assembleia Legislativa e o Judiciário Estadual, apoiado pela sociedade civil, empresariado, imprensa e opinião pública.
Os resultados mostram uma reconstrução histórica das instituições e das politicas públicas com evidências comprovadas nos indicadores econômicos, fiscais e sociais do desenvolvimento capixaba.
O Espirito Santo governado por Paulo Hartung e Renato Casagrande por três mandatos cada um virou case de sucesso, motivo de orgulho e exemplo para os outros estados do Brasil. O grande desafio em 2026 será eleger um governo estadual e representantes estaduais e federais capazes de liderar um novo ciclo tão virtuoso quanto este que se finda.
A lista de opções na eleição presidencial de 2026 não ficará restrita a Lula e Flávio Bolsonaro. O polo bolsonarista estará representado de forma muito mais estreita do que esteve quando foi fenômeno eleitoral em 2018, sem Paulo Guedes a sinalizar compromisso ideológico com a economia de mercado e Sergio Moro como bastião da faxina ética na elite empresarial e politica do país.
O Lula 4 também estará se apresentando muito mais enfraquecido do que em 2022 quando atraiu Geraldo Alkmim e muitos lideres políticos, intelectuais e empresariais do campo democrático, cumprindo de fato o papel de frente ampla em defensa da democracia.
No entanto, seu governo apequenou-se na mesquinharia das disputas pelo controle da máquina, sem projeto de país, dedicado ao populismo escancarado. Só se salvou como favorito para 2026 depois da intervenção aloprada de Trump. Teremos também uma eleição mais atenta à importância do Congresso Nacional. Eleger bons Deputados Federais e Senadores será cada vez mais importante.
As coisas boas que pudemos comemorar nestes 24 anos vieram quase sempre da sociedade, dos brasileiros, da cultura extraordinária de nossa gente, dos empreendedores e da resiliência de nossas instituições.
Em terras capixabas a eleição começou cedo. Durante 2025 quase não se falou em outra coisa.
O governo Casagrande é o principal ator pela extensa carteira de entregas e realizações, a amplíssima capacidade de alianças regionais e partidárias e a eficiente comunicação nas redes sociais.
Nos palanques majoritários consolidou-se a indicação de Ricardo Ferraço como candidato oficial e o prefeito Arnaldinho Borgo, agora presidindo o PSDB estadual, como desafiante no campo das alianças do governo.
O palanque do PT, Helder Salomão e Fabiano Cantarato também se apresentam como desafiantes no campo governista movidos fundamentalmente pela força nacional petista. As duas duvidas principais em termos da formação dos palanques eleitorais capixabas estão por conta do PL bolsonarista e da federação União Progressista ainda sem definição.
O prefeito Lorenzo Pazolini credenciou-se como principal desafiante fora do campo da aliança governista e ainda se aguarda a definição do PL e da federação União Progressista para que o panorama da disputa para o governo fique completa.
Para as duas vagas do Senado Federal, destaca-se o favoritismo absoluto de Renato Casagrande do PSB. Fabiano Contarato do PT tem presença garantida na disputa assim como Luiz Paulo Vellozo Lucas do PSDB, por força das respectivas direções partidárias nacionais.
As demais candidaturas já lançadas: Marcos do Val, Sergio Menegueli, Maguinha Malta, Leonardo Monjardim, Euclério Sampaio e Evair de Melo ainda dependem do fechamento das alianças majoritárias para serem confirmadas.
As eleições proporcionais são o maior desafio das direções partidárias. Formar chapas de candidatos a deputado, federal e estadual, respeitando a quota de mulheres, é um desafio que mostra a cada eleição que o sistema eleitoral precisa mudar.
Os candidatos tidos como sendo bons de voto escolhem seus partidos por conveniência no apagar das luzes dos prazos oficiais e são disputados a peso de ouro pelas legendas.
É claro que o sistema proporcional alimenta a desconfiança e o descrédito na política.
Deus nos ilumine e abençoe em 2026!