Lula acusa governo americano de mentir em acusação de desmatamento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (11) que os Estados Unidos estão distorcendo informações ao impor uma tarifa de 37,5% sobre produtos brasileiros, alegando desmatamento na Amazônia e no Cerrado. A declaração foi feita durante evento em Brasília, quando o governo anunciou que os alertas de desmatamento caíram 61,4% na Amazônia e 12,2% no Cerrado em maio, na comparação com o mesmo período do ano passado.
“Nós vamos enviar esses dados para os empresários americanos, para mostrar que a alegação usada para a taxação não condiz com a realidade brasileira”, disse Lula. Ele ressaltou que os Estados Unidos já haviam aplicado uma tarifa de 50% ao Brasil no ano passado, alegando déficit na balança comercial, e que agora repete a acusação com base em desmatamento.
O presidente destacou que o Brasil tem metas claras para zerar o desmatamento ilegal até 2030 e que as medidas adotadas no país são fiscalizadas, mas que o governo americano não considera os dados corretos. Ele também chamou a atenção para condições de trabalho e regulamentações econômicas, apontando que outros fatores deveriam ser levados em conta na relação comercial bilateral.
Lula criticou ainda a investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas falhas na fiscalização do Cadastro Ambiental Rural, extração ilegal de madeira e conversão de áreas para pastagem. Segundo o levantamento americano, entre 2023 e 2024, 91% do desmatamento na Amazônia e 51% no Cerrado teria ocorrido de forma irregular.
O presidente afirmou que a narrativa americana não se sustenta e que o Brasil possui credibilidade para discutir questões ambientais com qualquer país ou grupo econômico. A investigação dos EUA também menciona práticas comerciais consideradas discriminatórias contra empresas norte-americanas, incluindo o uso do PIX, regulamentação de big techs, trabalho forçado e pirataria.