
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve abrir uma rodada direta de conversas com a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), para tentar convencê-la a mudar de plano político nas eleições de 2026 em Minas Gerais. A ideia é que a dirigente petista assuma a disputa pelo governo do estado, em uma movimentação considerada estratégica dentro do partido.
A iniciativa foi discutida durante reunião realizada no Palácio da Alvorada com lideranças do PT e o presidente da sigla, Edinho Silva, na última quarta-feira. No encontro, o nome de Marília ganhou força após a decisão interna de o partido lançar candidatura própria ao governo mineiro, encerrando a possibilidade de composição com outras legendas no primeiro momento.
Nos bastidores, a avaliação é de que Lula pretende atuar diretamente para tentar alinhar o cenário eleitoral em Minas, considerado um dos estados mais decisivos do país. A ex-prefeita, no entanto, resiste à mudança de rota e mantém a intenção de disputar o Senado, onde aparece com desempenho competitivo nas pesquisas já divulgadas.
Em levantamento do instituto Real Time Big Data, Marília aparece na liderança da corrida ao Senado em Minas Gerais, com 22% das intenções de voto, seguida pelo senador Aécio Neves (PSDB), que registra 15%, cenário que reforça sua disposição em permanecer na disputa pela Casa Alta.
Em nota divulgada após a reunião do PT, Marília Campos classificou como um equívoco estratégico a decisão do partido de lançar candidatura própria ao governo estadual. Segundo ela, o caminho mais consistente seria a construção de uma frente mais ampla com partidos do campo progressista e de centro, ampliando a capacidade de competitividade eleitoral.
A ex-prefeita também afirmou que sua pré-candidatura ao Senado é a única hipótese colocada por ela para 2026, destacando que Minas Gerais hoje não conta com representantes alinhados diretamente ao governo federal na Casa.
Caso a tentativa de convencimento não avance, o PT já trabalha com alternativas internas para a disputa ao governo mineiro. Entre os nomes avaliados estão os deputados federais Reginaldo Lopes (PT) e Rogério Correia (PT), que aparecem como possíveis opções do partido para manter a presença na corrida estadual.
Aliados, no entanto, relatam que Reginaldo Lopes não demonstra entusiasmo com a possibilidade de disputar o Palácio da Liberdade e tende a concentrar esforços em uma eventual candidatura ao Senado, o que abre ainda mais incertezas sobre a estratégia petista em Minas Gerais.