
A deputada federal Marina Silva (Rede-SP) criticou a articulação de partidos que defendem mudanças nas regras de distribuição do fundo eleitoral destinadas às candidaturas de mulheres e pessoas negras. Em entrevista concedida durante sua pré-campanha ao Senado por São Paulo, a parlamentar afirmou que os mecanismos criados pela Justiça Eleitoral representam instrumentos de promoção da igualdade de oportunidades e não podem ser tratados como concessões partidárias.
Segundo Marina, qualquer tentativa de flexibilizar as cotas representa um retrocesso na ampliação da representatividade política. Para ela, a legislação busca corrigir desigualdades históricas que ainda limitam o acesso de mulheres, negros e indígenas aos espaços de poder.
A parlamentar ressaltou que a participação feminina na política brasileira continua distante da proporção existente na população. Embora as mulheres representem cerca de metade dos brasileiros, elas ainda ocupam uma parcela reduzida das cadeiras no Congresso Nacional, cenário que, segundo a deputada, justifica a manutenção de políticas voltadas ao fortalecimento dessas candidaturas.
Durante a entrevista, Marina afirmou considerar preocupante que partidos de diferentes correntes ideológicas estejam unidos em propostas que possam reduzir a efetividade das regras eleitorais voltadas à inclusão política. Ela defendeu que as legendas garantam condições concretas para que mulheres disputem eleições em igualdade de condições, com acesso adequado ao financiamento, estrutura partidária, tempo de campanha e visibilidade.
Pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina também afirmou que continuará defendendo pautas ligadas ao desenvolvimento sustentável, à preservação ambiental e ao fortalecimento das instituições democráticas durante a campanha eleitoral.
Ao comentar a participação feminina na política, a deputada argumentou que o avanço da representação depende não apenas do direito formal de concorrer às eleições, mas também da existência de condições efetivas para que essas candidaturas sejam competitivas.
O debate sobre a aplicação das cotas eleitorais voltou ao centro das discussões políticas após partidos defenderem alterações na interpretação das regras de distribuição dos recursos do fundo eleitoral, tema que permanece em análise no âmbito da Justiça Eleitoral e do Congresso Nacional.