
O MDB decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência da República nas eleições de 2026 e oficializou uma posição de neutralidade nacional durante a convenção do partido realizada nesta segunda-feira (27). A legenda optou por liberar seus diretórios estaduais para que cada unidade defina suas alianças de acordo com as disputas locais.
A decisão foi tomada diante da diversidade de cenários políticos nos estados e da dificuldade de construir um consenso nacional em torno de uma candidatura presidencial. Segundo a direção do partido, a prioridade será fortalecer as estruturas regionais e ampliar o desempenho da legenda nas eleições para governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (MDB-SP), afirmou que a liberação dos diretórios estaduais busca preservar a unidade interna e respeitar as características políticas de cada região.
“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nossos estados tenham um resultado bastante positivo”, declarou o dirigente durante o encontro.
Em comunicado divulgado após a convenção, o MDB destacou que a decisão considera a força dos diretórios estaduais e o histórico eleitoral da legenda em cada localidade. O partido afirmou que a neutralidade permitirá que seus quadros construam alianças de acordo com as realidades políticas regionais.
A medida reflete a fragmentação interna do MDB para a disputa presidencial. Em algumas regiões, integrantes da legenda avaliam apoiar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outros estados, lideranças se aproximam de nomes da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
Sem apresentar candidatura própria ao Palácio do Planalto, o MDB segue uma estratégia semelhante à adotada por outros partidos do chamado centro político, priorizando alianças estaduais e a eleição de suas bancadas no Congresso Nacional.
Durante a convenção nacional, realizada de forma virtual, a sigla também confirmou candidaturas do partido em 24 estados.
Entre os principais nomes da legenda nas eleições estaduais está o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB), que disputará novamente o governo de Alagoas. Em São Paulo, o MDB integra a composição liderada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com Felício Ramuth buscando a reeleição como vice-governador.
O partido também enfrenta disputas internas em alguns estados. No Distrito Federal, por exemplo, a legenda ainda avalia se apoiará a atual gestão ou lançará candidatura própria após ficar fora da chapa majoritária.
Na eleição presidencial de 2022, o MDB lançou a então senadora Simone Tebet, que terminou a disputa em terceiro lugar, com cerca de 5 milhões de votos. Após o primeiro turno, ela declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL).
Tebet deixou o MDB em 2026 e ingressou no PSB para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo em uma chapa que terá Fernando Haddad (PT) como candidato ao governo paulista.
Com a neutralidade nacional, o MDB mantém uma tradição de priorizar sua presença regional e deixa aberta a possibilidade de diferentes alianças estaduais durante a corrida eleitoral de 2026.