
Em um movimento que surpreendeu até ministros experientes do Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias provocou forte indignação dentro da Corte ao apresentar manifestação da Advocacia-Geral da União pedindo que Gilmar Mendes reconsiderasse sua decisão sobre a limitação de pedidos de impeachment contra ministros. A ação, vista como um gesto político voltado ao Senado, detonou uma crise pública e privada entre o advogado-geral e o magistrado que, até então, era seu maior articulador na disputa por uma vaga no próprio STF.
Gilmar recusou o pedido da AGU no mesmo dia, mas a reação mais ruidosa veio nos bastidores. Para ministros próximos a ele, Messias cometeu uma verdadeira ruptura ao expor o magistrado justamente no momento em que tentava angariar apoio de senadores para sua futura sabatina. O cálculo político teria ignorado um custo evidente. Ao buscar agradar parlamentares descontentes com o Supremo, Messias minou a confiança daquele que vinha atuando para suavizar resistências internas ao seu nome entre figuras influentes como Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
O episódio acendeu alertas no Senado. Parlamentares ligados ao STF interpretaram o gesto como oportunismo eleitoral em plena campanha pela vaga deixada por Ricardo Lewandowski. A cronologia reforçou a leitura de que Messias atuou com conveniência. Gilmar solicitou manifestação da AGU em setembro, mas a resposta só foi apresentada agora, em meio à disputa pela indicação.
A decisão de Gilmar reafirma que apenas o procurador-geral da República pode oferecer denúncia que resulte em processo de impeachment contra membros do Supremo. A reação do Senado foi imediata. Em nota dura, Davi Alcolumbre cobrou respeito do tribunal e disse estar disposto a discutir alterações na Constituição para garantir as prerrogativas da Casa.
No Supremo, a avaliação predominante é que Messias arriscou demais. Ao tentar demonstrar sintonia com o Senado, ele enfraqueceu sua sustentação mais sólida dentro da Corte. O resultado é um ambiente ainda mais tenso entre os Poderes, com a indicação presidencial sob pressão e uma crise institucional em processo de expansão.