
A manhã deste sábado (22) começou com uma cena que virou o centro do noticiário nacional: a Polícia Federal prendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa, por volta das 6h, enquanto ele estava acompanhado de familiares. No momento da operação, estavam na residência o irmão de Bolsonaro, Guido, e o cunhado Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ambos haviam dormido no local após um encontro familiar na noite anterior.
Michelle, porém, não estava em Brasília. A ex-primeira-dama havia viajado na sexta-feira (21) para Fortaleza (CE), onde participaria de agendas do PL Mulher, grupo que ela preside nacionalmente. A notícia da prisão a alcançou de forma abrupta e inesperada.
Segundo relato da deputada federal Rosana Valle (PL-SP), Michelle soube da prisão enquanto estava ao seu lado, ainda no Ceará. “Hoje, às 6h, ao lado de Michelle Bolsonaro, recebi a notícia da prisão de Jair Bolsonaro enquanto estávamos em solo cearense. Viemos para mais um encontro de lideranças femininas do PL Mulher. Ele está bem, confirmou à Michelle. Essa covardia não nos abala. Michelle está voltando para Brasília”, escreveu a parlamentar nas redes sociais.
Pouco depois, Michelle se pronunciou publicamente, publicando um versículo bíblico em suas redes sociais: “Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro”, em referência ao Salmo 121.
De acordo com informações obtidas pela reportagem, agentes da Polícia Federal chegaram cedo à residência do ex-presidente e o conduziram para a Superintendência da PF em Brasília. A operação ocorreu menos de 12 horas após um jantar familiar, no qual Bolsonaro reuniu quatro de seus cinco irmãos e dois cunhados para uma noite que, até então, parecia comum.
A prisão do ex-presidente reacende tensões políticas, mobiliza aliados e fortalece a sensação de instabilidade no cenário nacional — em um sábado que começou cedo demais e terminou tarde para todo o país.