Operação da PF mira esquema de corrupção envolvendo prefeito sobrinho de Renan Calheiros em Alagoas

Investigação apura suspeitas de desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e corrupção em obras de educação no município de Murici; prefeito Remi Calheiros Filho é citado por vínculo familiar com grupo político tradicional de Alagoas

Operação da PF mira esquema de corrupção envolvendo prefeito sobrinho de Renan Calheiros em Alagoas

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (28) a Operação Delivery, em Alagoas, para investigar um suposto esquema envolvendo desvios de recursos públicos, fraudes em processos de contratação e corrupção relacionado a obras de escolas no município de Murici.

A investigação teve origem após uma apreensão realizada em novembro de 2025, quando a PF encontrou cerca de R$ 270 mil em dinheiro vivo transportados por um empresário ligado ao setor da construção civil. A suspeita dos investigadores é que os valores possam ter relação com irregularidades envolvendo contratos públicos no município.

Durante a nova fase da operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Murici e Maceió. A Polícia Federal informou que foram apreendidos R$ 123 mil em espécie, além de valores em moedas estrangeiras, incluindo dólares, euros e libras esterlinas. O montante localizado nesta etapa ultrapassa R$ 178 mil.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que somam aproximadamente R$ 1,3 milhão, além do afastamento cautelar de servidores públicos investigados por possível participação no esquema.

Entre os alvos da investigação está a administração municipal de Murici, comandada pelo prefeito Remi Calheiros Filho (MDB), que pertence a uma das famílias políticas mais tradicionais de Alagoas. O prefeito é filho do deputado estadual Remi Calheiros (MDB), sobrinho do senador Renan Calheiros (MDB) e primo do ex-governador e atual ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).

Segundo a Polícia Federal, as apurações apontam para possíveis crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e associação criminosa. A corporação informou que as investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a origem dos recursos encontrados.

A Operação Delivery é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e busca aprofundar a apuração sobre contratos públicos e possíveis irregularidades na aplicação de verbas destinadas ao município.

A apreensão de grandes quantias em dinheiro durante investigações envolvendo agentes públicos volta a colocar no centro do debate a necessidade de transparência e controle na utilização dos recursos públicos, especialmente em períodos próximos ao calendário eleitoral.

A defesa dos investigados ainda não havia se manifestado sobre a operação até a publicação das informações.