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Operação do GAECO mira descontos ilegais do PicPay de Joesley Batista no INSS

Por Brasil no Centro Publicado em 19 de junho de 2026 às 14:36 3 min de leitura
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Operação do GAECO mira descontos ilegais do PicPay de Joesley Batista no INSS

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Gaeco/MPDFT) deflagrou nesta sexta-feira a Operação Juros Zero para investigar um suposto esquema de descontos indevidos em contracheques de servidores públicos do Distrito Federal. O caso envolve operações financeiras ligadas ao sistema de crédito consignado e contratos firmados com instituições públicas e privadas.

A investigação mira um conjunto de agentes públicos e privados, entre eles o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor do PicPay, Eduardo Chedid Simões, que já havia sido citado em apurações anteriores no âmbito de comissões parlamentares.

Ao todo, foram cumpridos cerca de 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Curitiba e em São Paulo, atingindo órgãos públicos, empresas e entidades ligadas ao sistema de pagamento dos servidores.

Entre os alvos da operação estão o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), o aplicativo PicPay e associações ligadas ao funcionalismo público.

O Ministério Público apura a existência de um modelo de antecipação salarial e crédito consignado que teria sido estruturado a partir de convênios firmados entre o governo distrital e empresas do setor financeiro. Segundo os investigadores, o sistema teria sido utilizado de forma indevida para viabilizar cobranças e operações fora dos parâmetros legais.

O caso ganhou novos desdobramentos após a revelação de que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, já está preso desde abril, em outra frente de investigação que envolve supostos benefícios indevidos e negociações com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

A operação também alcança a relação institucional entre o governo do Distrito Federal e o PicPay, controlado pelo grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista. O modelo de parceria firmado em 2024 permitiu a servidores acessar antecipação de salários por meio de aplicativo, mecanismo que depois passou a ser expandido como referência para outros sistemas de crédito.

Em nota, o PicPay afirmou que atua em conformidade com a legislação e que não reconhece irregularidades nas operações investigadas. A empresa declarou ainda que seus serviços seguem normas de regulação do setor financeiro e que colabora com as autoridades.

O governo do Distrito Federal, por meio de suas secretarias, informou que a investigação se concentra na atuação de agentes específicos e não compromete a institucionalidade dos órgãos envolvidos. O Iprev-DF também afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A Operação Juros Zero segue em andamento e novas diligências não estão descartadas pelos investigadores, que analisam possíveis irregularidades na estrutura de consignados e na circulação de recursos entre entes públicos e privados.