PF investiga empresa com R$ 8,3 bilhões em contratos no governo Lula

Construtora que lidera obras de pavimentação no país é alvo de apurações por suspeitas de cartel e superfaturamento

PF investiga empresa com R$ 8,3 bilhões em contratos no governo Lula

A Polícia Federal investiga a atuação da LCM Construção e Comércio, empresa que se tornou a principal contratada para obras de pavimentação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde o início do atual mandato, a construtora firmou R$ 8,3 bilhões em contratos com o governo federal, especialmente por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

O volume coloca a empresa no topo do ranking das que mais receberam recursos para obras de asfalto no país. A cifra supera em 25% o montante contratado no mesmo período da gestão anterior e é quase o dobro do valor obtido pela segunda colocada no setor.

Com sede em Belo Horizonte, a LCM assinou 128 contratos com o Dnit em 22 estados apenas no atual governo. A expansão acelerada ocorre em paralelo a uma série de investigações que apuram suspeitas de formação de cartel, direcionamento de licitações e pagamentos por serviços não executados.

Um dos focos da apuração envolve obras na BR 156, no Amapá. A investigação aponta possível troca de informações privilegiadas antes da publicação de editais e indícios de articulação política para liberação de recursos. O caso também cita o nome de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, mencionado em diálogos interceptados pela PF. Por meio de assessoria, o senador afirmou não ter qualquer relação com as empresas investigadas.

Relatórios também indicam suspeitas em contratos em outros estados, como Rondônia e Minas Gerais. Em auditoria sobre obra na BR 367, que liga Minas à Bahia, a Controladoria-Geral da União apontou inconsistências em medições e pagamentos por intervenções que não teriam sido comprovadas. Há ainda apuração no Conselho Administrativo de Defesa Econômica sobre possível atuação coordenada entre empresas em processos licitatórios.

Segundo documentos das investigações, foram identificados indícios de combinação prévia de propostas e até coincidência de dados técnicos em pregões eletrônicos, o que pode indicar simulação de concorrência. Em alguns trechos auditados, há suspeita de pagamento por espessura de asfalto muito superior à efetivamente aplicada.

Em nota, a LCM atribuiu o volume de contratos à sua capacidade técnica e negou irregularidades. A empresa afirma que colabora com os órgãos de controle e que atua com base em princípios de governança e legalidade.

O caso reforça a necessidade de rigor na fiscalização de contratos bilionários e transparência na aplicação de recursos públicos, especialmente em um país que ainda convive com os efeitos de escândalos de corrupção que comprometeram grandes obras de infraestrutura no passado.