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PF mira quadrilha que movimentou R$ 500 milhões com tráfico de armas e drogas na fronteira com o Paraguai

Operação em sete estados cumpre 26 mandados de prisão e investiga organização ligada a facções criminosas, com suspeitas de participação de policiais e envio de drogas à Europa.

Por Brasil no Centro Publicado em 4 de novembro de 2026 às 12:54 7 min de leitura
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PF mira quadrilha que movimentou R$ 500 milhões com tráfico de armas e drogas na fronteira com o Paraguai

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (4) uma operação de grande alcance contra uma organização criminosa suspeita de controlar rotas internacionais de tráfico de drogas e armas na fronteira do Brasil com o Paraguai. A investigação aponta que o grupo, comandado por integrantes de uma mesma família e associado a facções criminosas, teria movimentado mais de R$ 500 milhões em dois anos, utilizando uma estrutura que incluía veículos blindados, empresas de fachada e suposta colaboração de agentes de segurança pública.

Batizada de Operação Ifrit, a ofensiva é realizada em parceria com a Receita Federal e envolve o cumprimento de 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, onde se concentra parte das investigações.

A operação ocorre simultaneamente em sete estados: Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Além das prisões e buscas, a Justiça determinou três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis suspeitos de colaborar com a organização.

O principal centro de atuação do grupo estaria localizado na região de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. As duas cidades formam uma das principais áreas de circulação de pessoas e mercadorias na fronteira entre os países e aparecem nas investigações como ponto estratégico para o transporte de produtos ilícitos.

Segundo a Polícia Federal, a estrutura criminosa teria sido organizada a partir de um núcleo familiar, formado por três irmãos e outros parentes, com ramificações em diferentes estados brasileiros. As apurações indicam que o grupo mantinha relações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

A suspeita é de que os investigados utilizassem armamentos de alto poder ofensivo, veículos blindados e uma rede de apoio logístico para controlar territórios, proteger carregamentos e intimidar organizações rivais.

Além do tráfico internacional de entorpecentes e armamentos, os investigadores apuram a participação dos suspeitos em sequestros, torturas, atentados e homicídios relacionados à disputa pelo controle das atividades criminosas. Rondônia Dinâmica+1

As investigações identificaram possíveis rotas de abastecimento com origem na Bolívia, no Peru e no Paraguai. Drogas e armas adquiridas nesses países seriam transportadas para o território brasileiro, onde parte dos carregamentos abasteceria redes de distribuição nacionais.

Outra parcela dos entorpecentes seguiria para o exterior, especialmente para a Espanha e Portugal, países apontados pela Polícia Federal como destinos relevantes das operações internacionais do grupo.

A conexão com mercados europeus ampliou o alcance das investigações, que passaram a examinar não apenas o transporte das mercadorias, mas também os mecanismos financeiros utilizados para movimentar e ocultar os recursos obtidos com as atividades ilegais.

De acordo com informações divulgadas pelo UOL, a Polícia Federal identificou movimentações superiores a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos. A suspeita é de que o dinheiro tenha circulado por contas bancárias, empresas de fachada e operações comerciais simuladas, com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem dos valores.

A dimensão financeira da organização levou a Justiça a autorizar medidas patrimoniais. Entre elas estão o sequestro de aproximadamente 160 imóveis, restrições sobre mais de 150 veículos e o bloqueio de valores que podem chegar a R$ 300 milhões.

As providências buscam preservar bens potencialmente ligados às atividades criminosas e impedir que recursos investigados sejam movimentados durante o andamento do processo.

Outro ponto considerado relevante pela Polícia Federal é a possível participação de servidores da área de segurança pública.

A investigação aponta suspeitas envolvendo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul, além de um policial rodoviário federal. Segundo os investigadores, esses agentes teriam fornecido informações estratégicas e prestado apoio a integrantes da organização.

A suspeita de colaboração de servidores públicos levou a Justiça Federal a determinar o afastamento cautelar de três policiais civis de suas funções, enquanto são aprofundadas as apurações sobre suas condutas.

O afastamento não representa condenação ou comprovação definitiva de participação nos crimes. A responsabilidade de cada investigado deverá ser examinada individualmente no decorrer das investigações e de eventuais processos judiciais.

Um dos episódios investigados envolve a suspeita de desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína que haviam sido apreendidas pelas autoridades.

Segundo informações publicadas pelo UOL, um delegado de Mato Grosso do Sul é investigado por supostamente participar da retirada e comercialização do entorpecente, que teria sido vendido por cerca de R$ 15 milhões. A apuração também examina a suspeita de que a droga original tenha sido substituída por material adulterado.

O caso integra as linhas de investigação sobre a possível utilização de estruturas públicas em benefício da organização criminosa. As acusações ainda dependem de apuração e não constituem conclusão judicial sobre a responsabilidade do servidor.

A ofensiva também busca identificar a atuação de pessoas responsáveis pelo transporte de carregamentos, armazenamento de mercadorias, movimentação dos recursos financeiros e manutenção das relações com outros grupos criminosos.

Segundo a Polícia Federal, a estrutura teria funcionado durante anos, com registros de atividades investigadas desde pelo menos 2018.

A permanência da organização na região de fronteira teria sido sustentada por uma combinação de controle territorial, capacidade logística e conexões com diferentes mercados ilegais.

Os investigadores procuram esclarecer como os suspeitos articulavam a entrada de mercadorias no Brasil, sua distribuição entre os estados e o envio de drogas para outros países.

O trabalho também busca identificar eventuais beneficiários das movimentações financeiras e empresas utilizadas para dar aparência legal a recursos provenientes de atividades ilícitas.

A denominação Operação Ifrit faz referência a criaturas da tradição mitológica árabe e islâmica, frequentemente associadas ao fogo e à força. O nome foi adotado pela Polícia Federal para identificar a investigação sobre o grupo transnacional.

Os mandados expedidos nesta quarta-feira fazem parte de uma etapa da apuração conduzida pela Polícia Federal e pela Receita Federal, sob supervisão da Justiça Federal de Campo Grande.

Até a divulgação das informações iniciais, as autoridades haviam confirmado a expedição de 26 mandados de prisão, sem apresentar um balanço definitivo sobre quantas pessoas já tinham sido efetivamente detidas.

Os resultados das buscas, as eventuais apreensões de armas e drogas e a identificação de outros participantes deverão ser detalhados à medida que as diligências forem concluídas.

A Operação Ifrit concentra esforços sobre uma organização suspeita de combinar tráfico internacional, lavagem de dinheiro, violência e colaboração de agentes públicos. Os próximos desdobramentos deverão esclarecer a extensão das atividades investigadas e a participação individual dos envolvidos.