Ponte de R$ 36 milhões desaba no Acre menos de 3 anos após a inauguração

Estrutura entregue em 2023 pelo então governador Gladson Cameli (PP) cede e fere quatro pessoas; caso reforça debate sobre qualidade de obras públicas no país

Ponte de R$ 36 milhões desaba no Acre menos de 3 anos após a inauguração

No Acre, a ponte Padre Paolino Baldassari, inaugurada em 2023 pelo então governador Gladson Cameli (PP) ao custo de R$ 36 milhões, desabou nesta sexta-feira, ferindo quatro pessoas. A queda da estrutura, que ligava a cidade de Sena Madureira a áreas rurais do estado, ocorre menos de três anos após sua entrega e reacende questionamentos sobre fiscalização e qualidade de obras públicas no Brasil.

A ponte, com extensão de 232 metros, foi oficialmente aberta em dezembro de 2023 em um evento que contou com a presença de autoridades estaduais e municipais. Na ocasião, Cameli exaltou o esforço conjunto do governo, da prefeitura e da Assembleia Legislativa para concluir a obra, afirmando que ela representava um compromisso com a melhoria da vida da população. Pouco tempo depois, no entanto, surgiram sinais preocupantes na estrutura, levando à sua interdição na quinta‑feira devido à identificação de rachaduras, fendas e outros indícios de comprometimento. A decisão de fechar o tráfego acabou evitando um número maior de vítimas.

Dentre os feridos está o juiz aposentado Edinaldo Muniz, que sofreu traumatismo craniano, trauma abdominal e lesão renal após o trecho desabar. Minutos antes do acidente, ele havia publicado nas redes sociais um vídeo alertando para possíveis falhas na construção da ponte, reforçando a necessidade de atenção contínua a obras de infraestrutura. Os demais envolvidos no incidente receberam atendimento no hospital local, com quadro clínico estável.

O episódio ganha ainda mais relevância diante da recente condenação de Cameli pelo Superior Tribunal de Justiça, que, no mês passado, o sentenciou a 25 anos e nove meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa em obras públicas. A condenação foi unânime e decorre de desvios em contratos vinculados ao erário, reforçando a sensibilidade do debate sobre a gestão de recursos públicos na área de infraestrutura.

A queda da ponte no Acre reacende alertas sobre a importância de critérios técnicos rigorosos e de gestão eficiente em obras financiadas com recursos do contribuinte. Especialistas ouvidos em diferentes estados têm observado que a qualidade das construções e a fiscalização adequada são pilares para evitar riscos à população e salvaguardar investimentos.