Ricardo Corrêa: “Feliz ano novo para quem? 2026 será de nervos à flor da pele com implicados nos Três Poderes”

Ricardo Corrêa: “Feliz ano novo para quem? 2026 será de nervos à flor da pele com implicados nos Três Poderes”
Moraes e o STF entram na lista dos que devem enfrentar um período turbulento nos próximos meses no Brasil; Congresso e Lula também não devem enfrentar um ano de paz

O Natal nem de longe foi do jeito que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esperava. As incômodas e graves revelações de um suposto lobby em favor do Banco Master junto ao Banco Central incutiram uma pressão em cima do ministro que irradia por toda a Corte e o colocaram na lista das autoridades que não devem ter um 2026 livre de preocupações.

O próprio STF já estava pressionado, em especial após a revelação de que Dias Toffoli, antes de se tornar relator e decretar sigilo nas investigações sobre a fraude no Banco Master, viajou em um jatinho do advogado de um dos implicados para ver a final da Libertadores. Os dois episódios impulsionam a discussão de um Código de Conduta, que o presidente da Corte, Edson Fachin, tenta emplacar a despeito da resistência dos próprios colegas. O STF está na berlinda e mesmo as práticas já conhecidas na Corte, como os eventos patrocinados por partes ou o excesso de decisões monocráticas ou que reescrevem a legislação estão mais expostas do que nunca.

Nos demais Poderes a coisa não é diferente. Se a pressão em cima dos ministros do STF promete ser grande no Congresso, os próprios parlamentares são atormentados por um 2026 nebuloso. Na Corte tramitam processos e investigações iniciais sobre a sabida farra do orçamento secreto, que pode fazer trepidar as portas das casas de parlamentares ao toque da Polícia Federal ao longo do ano. Além disso, é reconhecido em Brasília que outras investigações, como o próprio caso do Master, a operação Carbono Oculto e os rolos envolvendo a Refit vão inevitavelmente respingar no Centrão.

Especialmente entre os opositores de Lula, há problemas por todo lado encomendados para o próximo ano. Principal articulador do grupo no Congresso, Sóstenes Cavalcante foi abatido por uma operação da PF relacionada ao orçamento secreto, com dinheiro vivo encontrado em sua casa. Ele alega que era da venda de uma casa, mas guardar dinheiro no colchão com tantas opções de investimento e com a inflação corrorendo a grana diariamente é difícil de explicar.

Eduardo Bolsonaro, agora sem mandato ou passaporte, enfrentará o ação penal por coação no curso do processo. Já Carlos Bolsonaro, indiciado por atuação em desinformação, também deve ser seu caso chegar ao Judiciário. Enquanto isso, o irmão Flávio tenta se equilibrar para manter uma candidatura em meio a uma direita rachada entre o grupo que prefere Tarcísio e o que topa se alinhar a uma família Bolsonaro recheada de rejeição e sem rumo após a prisão do combalido Bolsonaro. Sem controle nem da disputa na própria família, que envolve também a esposa Michelle, Bolsonaro faz nesta quinta sua oitava cirurgia em um hospital e vai virar o ano no estabelecimento de saúde.

Mas mesmo com inimigos em pé de guerra, o 2026 de Lula não parece tão próspero quanto o governo gostaria. No Congresso, o governo terminou 2025 em atritos com os presidentes das duas Casas. No ano que vem a situação deve piorar, com os partidos que fingem ser base tendo que se posicionar em outras frentes em razão da disputa eleitoral. Com o desafio de aprovar o nome de Jorge Messias, Lula terá uma batalha dramática no Senado. E há grandes chances de que seu possível veto ao PL da Dosimetria seja derrotado fragorosamente no Congresso.

Mas a maior preocupação vem de uma área que já deu muito mais dor de cabeça aos petistas. As suspeitas de corrupção envolvendo figuras próximas ao presidente. As investigações sobre fraudes no INSS ganharam fólego e se aproximaram de Lula, após a revelação de que o famoso Careca do INSS pediu um pagamento de R$ 300 mil para uma amiga do filho de Lula e citou “o filho do rapaz” nas conversas. Roberta Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão de Antônio Camilo e, por isso, foi alvo de operação da Polícia Federal. A defesa disse que empresária “jamais teve relação com descontos do INSS” e os demais não se manifestaram. Lula saiu dizendo que, se tiver filho envolvido, será investigado, mas o governo foi pego de calças curtas. Em ano eleitoral e com uma CPI para o caso funcionando no Congresso, com relator e presidente da oposição, o caso é o mais explosivo do terceiro mandato de Lula.