Servidores da Casa da Moeda acusam governo de enfraquecer empresa e falam em risco institucional

A Casa da Moeda do Brasil enfrenta um cenário de redução em sua principal fonte de receitas, impulsionado pela queda na demanda por papel-moeda e pela expansão dos meios eletrônicos de pagamento. Segundo representantes dos trabalhadores da estatal, a diminuição da produção de cédulas já resultou em perdas financeiras estimadas em R$ 63,5 milhões e levanta preocupações sobre o futuro da empresa.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Casa da Moeda afirma que a redução dos contratos ligados à fabricação de cédulas para o Banco Central vem sendo acompanhada pela falta de uma estratégia capaz de diversificar as atividades da empresa e ampliar novas fontes de receita.
Para a entidade, a transformação dos hábitos de pagamento da população, com o avanço de ferramentas digitais como o Pix, torna ainda mais necessária a busca por novos mercados e projetos que garantam a sustentabilidade financeira da estatal.
Entre as críticas apresentadas pelo sindicato está a perda de oportunidades comerciais no mercado internacional. Os representantes dos trabalhadores afirmam que contratos para produção de cédulas destinados a outros países deixaram de ser aproveitados, reduzindo a competitividade da empresa em um segmento considerado estratégico.
Além da fabricação de dinheiro, os trabalhadores defendem que a Casa da Moeda amplie sua atuação em áreas como certificação digital, rastreabilidade de produtos, controle fiscal e soluções de segurança gráfica, atividades que poderiam compensar a redução gradual da demanda por papel-moeda.
As preocupações também motivaram mobilizações internas. Em junho, os empregados aprovaram a realização de uma greve por tempo indeterminado como forma de pressionar por mudanças na condução administrativa da estatal e pela adoção de um plano voltado ao fortalecimento institucional da empresa.
Segundo o sindicato, o objetivo é que a administração federal e a direção da Casa da Moeda apresentem uma estratégia de longo prazo capaz de ampliar receitas, preservar empregos e reposicionar a empresa diante das transformações tecnológicas que vêm alterando o mercado financeiro e os sistemas de pagamento.
Até o momento, a direção da estatal não anunciou mudanças estruturais relacionadas às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.