Só 22% da população atribui fim da escala 6×1 a Lula

Levantamento Real Time Big Data divulgado nesta segunda-feira, 1º de junho, mostra que apenas 22% dos brasileiros atribuem ao presidente Lula a aprovação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 na Câmara dos Deputados. O dado chama atenção porque a pauta foi tratada pelo governo federal e pelo PT como uma das principais vitrines políticas do ano, em meio ao esforço do Planalto para recuperar popularidade junto ao eleitorado trabalhador.
Lula (PT) aparece como o nome mais citado quando os entrevistados são perguntados sobre quem consideram responsável pela substituição da escala 6×1 pela escala 5×2. Ainda assim, o percentual fica distante de uma associação majoritária. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados não souberam ou não responderam, o que indica que a maior parte da população ainda não identifica claramente quem liderou o processo de aprovação da medida.
O Congresso Nacional foi apontado por 13% dos entrevistados como responsável pela mudança. Outros 6% atribuíram a aprovação ao PT, 3% citaram Jair Bolsonaro, 2% mencionaram o Supremo Tribunal Federal e 2% indicaram outros responsáveis. A pergunta foi aberta, ou seja, os entrevistados puderam responder livremente, sem uma lista prévia de opções.
A PEC que extingue a escala 6×1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e ainda precisa ser analisada pelo Senado. O texto propõe substituir o modelo de seis dias de trabalho por um dia de descanso por uma jornada em formato 5×2, com dois dias de folga. A mudança tem forte apelo popular, mas ainda depende de novas etapas legislativas antes de ser incorporada definitivamente ao ordenamento jurídico.
O resultado da pesquisa revela uma dificuldade política para o governo Lula. Mesmo com a tentativa de vincular a pauta ao Palácio do Planalto e ao discurso histórico do PT sobre direitos trabalhistas, a maioria da população não atribui diretamente ao presidente a responsabilidade pela aprovação da proposta. O dado sugere que a comunicação do governo ainda não conseguiu transformar a tramitação da PEC em ganho político consolidado.
A leitura também reforça o papel do Congresso Nacional na pauta. Embora o governo tenha buscado acelerar o debate e associar sua imagem ao tema, a aprovação ocorreu na Câmara e depende agora do Senado. Em um sistema presidencialista com forte peso do Legislativo, a percepção dos eleitores mostra que medidas de grande impacto social nem sempre são capitalizadas exclusivamente pelo Executivo.
Para o Planalto, o desafio é ainda maior porque a pauta avança em um ambiente de desgaste. O governo Lula enfrenta críticas na economia, na segurança pública e na condução das contas públicas, enquanto tenta usar temas de forte repercussão popular para reorganizar sua narrativa. A pesquisa mostra, porém, que a associação automática entre a medida e o presidente está longe de ser dominante.
O dado de 52% de desconhecimento também expõe um país onde a discussão pública muitas vezes chega fragmentada ao eleitor. A escala 6×1 virou tema de redes sociais, discursos partidários e disputas entre governo e oposição, mas boa parte da população ainda não sabe apontar quem conduziu politicamente a mudança. Isso abre espaço para diferentes grupos tentarem disputar a autoria da proposta nos próximos meses.
A pesquisa foi realizada entre os dias 29 e 30 de maio de 2026, com 2.000 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-05864/2026 e, segundo o Poder360, custou R$ 80 mil, pagos com recursos próprios.
A tramitação no Senado deve manter o tema no centro do debate político. De um lado, o governo tentará reforçar a narrativa de que a mudança representa uma conquista trabalhista vinculada à sua agenda. De outro, parlamentares e partidos de diferentes campos buscarão destacar o protagonismo do Congresso no avanço da proposta.
Para o eleitor, o ponto central será acompanhar se a promessa de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores virá acompanhada de responsabilidade econômica, segurança jurídica e diálogo com os setores produtivos. A redução da jornada pode ser uma pauta popular, mas sua implementação exigirá cuidado para evitar impactos sobre empregos, pequenas empresas e custos de operação.
Em um cenário político marcado pela disputa de narrativas, a pesquisa Real Time Big Data mostra que o governo Lula ainda não conseguiu transformar sozinho o fim da escala 6×1 em patrimônio político. A pauta mobiliza o país, mas a autoria da mudança segue difusa para a maioria dos brasileiros.