Só Flavio e Michelle estão autorizados à falar por Bolsonaro, diz líder da oposição

Em meio ao maior abalo político da direita desde 2018, líder da oposição ordena centralização total da narrativa e alerta aliados: qualquer palavra fora do script pode prejudicar Bolsonaro.

Só Flavio e Michelle estão autorizados à falar por Bolsonaro, diz líder da oposição

A prisão preventiva de Jair Bolsonaro desencadeou uma corrida interna na oposição por controle, unidade e sobrevivência política. Em meio ao caos que tomou Brasília, o líder da oposição na Câmara, deputado Zucco, determinou que apenas Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro serão os porta-vozes oficiais do ex-presidente durante a crise. A orientação foi enviada a deputados em um grupo de WhatsApp e obtida pela reportagem.

Segundo Zucco, o momento é extremamente grave, inédito e exige máxima responsabilidade, disciplina e unidade de toda a base bolsonarista. A decisão veio poucas horas após a Polícia Federal prender preventivamente o ex-presidente, que permanece na superintendência da PF em Brasília. A corporação justificou a medida como forma de garantir a ordem pública, especialmente após a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro.

A crise se intensificou com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga do ex-presidente. Segundo o ministro, a tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro desde julho foi violada na madrugada, o que teria servido como indício de possível tentativa de fuga diante da movimentação registrada no condomínio onde ele mora.

Zucco, aliado de primeira linha de Bolsonaro no Congresso, afirmou que as reações imediatas da base foram compreensíveis, mas agora precisam ser substituídas por estratégia e controle. Ele destacou que qualquer fala pública, entrevista ou declaração sensível deve passar pelo aval de Michelle e Flávio. O deputado classificou isso como proteção ao presidente e ao movimento, negando que se trate de censura.

O líder defendeu centralização total da comunicação, coerência na narrativa e orientação jurídica antes de qualquer posicionamento público. Em sua mensagem, ele criticou movimentos isolados de parlamentares, como idas individuais ao condomínio de Bolsonaro ou à sede da PF, gravações improvisadas e discursos de improviso. Segundo ele, isso gera ruído, dispersão e risco jurídico para o ex-presidente.

Zucco listou uma série de ordens a serem seguidas. Entre elas, nenhuma movimentação individual a partir de agora, reuniões ampliadas ainda neste sábado com lideranças do PL e da oposição e a possível realização de uma coletiva de imprensa na sede do partido em Brasília. Ele reforçou que todos devem aguardar instruções do núcleo jurídico antes de falar com a imprensa e que é fundamental esclarecer o que é fato e o que é narrativa no episódio da suposta tentativa de romper a tornozeleira eletrônica.

Para Zucco, o momento exige maturidade, grandeza e responsabilidade. Ele alertou que a oposição não pode alimentar o discurso adversário, criar fatos desnecessários ou permitir que o caos comunicacional prejudique ainda mais Bolsonaro.

Parlamentares e aliados do ex-presidente insistiam nesta manhã que a vigília convocada para este sábado está mantida, embora ainda haja indefinição sobre o local. A deputada Bia Kicis, que esteve na superintendência da PF, disse que o ato continua previsto, mas pode mudar de endereço.

Nos bastidores, entretanto, cresce o temor de que um protesto esvaziado transmita a imagem de enfraquecimento político de Bolsonaro. Diversos parlamentares não estão em Brasília, e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, iniciou um mapeamento individual da bancada para organizar um ato que demonstre força, e não fragilidade, em meio ao momento mais crítico do bolsonarismo desde o fim do mandato.