“Sou o Bolsonaro que todo mundo quer”, afirma Flávio

Em encontro com empresários em São Paulo, senador se apresenta como opção moderada do bolsonarismo e diz que candidatura ao Planalto é viável

“Sou o Bolsonaro que todo mundo quer”, afirma Flávio
Cristiano Mariz

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que sua candidatura ao Palácio do Planalto é viável e capaz de atrair partidos do Centrão. A declaração foi feita após um almoço com empresários em São Paulo, onde o parlamentar adotou um tom conciliador e buscou se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo.

Durante o encontro, Flávio disse que pretende reduzir tensões internas no campo da direita e afastar disputas que, segundo ele, interessam apenas a adversários políticos. O senador afirmou ter experiência no jogo político em Brasília e defendeu a construção de pontes com partidos como União Brasil, Progressistas, PSD e Republicanos.

O encontro foi organizado por Gabriel Rocha Kanner, sobrinho de Flávio Rocha, CEO do Grupo Riachuelo e aliado da família Bolsonaro. Cerca de 40 empresários participaram da reunião, realizada em um imóvel da família no Jardim Europa, bairro nobre da capital paulista.

Flávio reforçou que sua postura difere do estilo do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora mantenha a identidade política do grupo. Segundo ele, sempre houve uma demanda por um Bolsonaro mais equilibrado e dialogável, perfil que acredita representar. Para o senador, à medida que seu nome se torne mais conhecido, as pesquisas devem refletir maior confiança do eleitorado em seu projeto político.

Apesar do discurso de moderação, Flávio manteve a aposta na polarização eleitoral. Ele afirmou que a disputa de 2026 será marcada pela escolha entre dois caminhos opostos, um que associa à prosperidade e outro que atribui ao Partido dos Trabalhadores.

Empresários que participaram do almoço relataram que o senador demonstrou segurança ao falar de sua pré-candidatura e afirmou ser o Bolsonaro que muitos eleitores esperavam. Segundo relatos, Flávio disse que trabalha para reduzir sua taxa de rejeição ao se apresentar diretamente ao eleitorado e mostrar quem é, argumentando que parte da resistência ao seu nome se deve ao desconhecimento.

O senador chegou ao encontro com atraso, após participar da sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado que aprovou o projeto da dosimetria. Após o almoço, retornou a Brasília para votar a proposta no plenário, reforçando o esforço de conciliar a agenda institucional com a movimentação política em torno de sua pré-candidatura.