
A Câmara dos Deputados decidiu arquivar o processo de cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e aplicar apenas suspensão de seis meses ao deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). A votação ocorreu na madrugada desta quinta-feira, 11 de dezembro, e refletiu a influência de alianças políticas na análise de processos de decoro parlamentar.
No caso de Braga, que respondia por agressão a um integrante do Movimento Brasil Livre em abril de 2024, o PSOL apresentou emenda substituindo a cassação pela suspensão. A medida foi aprovada por 318 votos com apoio do governo e do Centrão. Braga comemorou a decisão no plenário, apesar de o parecer original do Conselho de Ética recomendar cassação e inelegibilidade por oito anos.
O psolista justificou que sua reação se deu após ofensas a sua mãe já falecida, e acusou o ex-presidente da Câmara Arthur Lira de perseguição política e de desviar emendas parlamentares, acusações que Lira nega. A votação ocorreu após um tumulto em que Braga ocupou a mesa da Presidência da Câmara e foi retirado à força, enquanto transmissões oficiais foram interrompidas e jornalistas impedidos de acompanhar os trabalhos.
Já o processo contra Zambelli, presa na Itália e aguardando extradição, também não resultou em cassação. A parlamentar havia sido condenada pelo STF por participação na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça e por porte ilegal de arma, acumulando penas que somam mais de 15 anos. Mesmo com parecer favorável à perda de mandato, não houve votos suficientes para cassá-la.
As decisões refletem a divisão política na Câmara, em que a direita protege Braga e a esquerda protege Zambelli, deixando ambos os casos polêmicos sem punição definitiva e alimentando o debate sobre critérios e influências políticas na aplicação das normas do decoro parlamentar.