Tereza Cristina mantém candidatura ao Senado e PL articula voto aberto para evitar apoio a Alcolumbre
Senadora negocia com Rogério Marinho uma candidatura única da oposição, enquanto o PL busca expor os votos de parlamentares na disputa contra a reeleição de Davi Alcolumbre.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reafirmou sua intenção de disputar a presidência do Senado Federal em fevereiro de 2027 e mantém negociações com o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), para evitar a divisão dos votos contrários à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Paralelamente, o Partido Liberal discute uma estratégia para tornar públicos os posicionamentos dos parlamentares e reduzir a possibilidade de apoios reservados ao atual presidente da Casa.
As movimentações foram confirmadas na terça-feira (3), durante declarações dos dois senadores à imprensa. Segundo reportagem do Estadão, Tereza Cristina e Marinho continuam interessados em disputar a presidência, mas trabalham para chegar a um entendimento antes da eleição, marcada para 1º de fevereiro.
A principal preocupação dos articuladores da oposição é impedir que duas candidaturas do mesmo campo político concorram entre si, facilitando a concentração de apoios em torno de Alcolumbre, que busca permanecer no comando do Senado.
Tereza Cristina afirmou que sua pré-candidatura está mantida e destacou a intenção de se tornar a primeira mulher a presidir a Casa. A parlamentar, que foi ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), considera que ainda existe espaço para ampliar as conversas com outras bancadas.
A senadora também deixou claro que não houve definição sobre qual dos dois nomes representará o grupo na disputa. Apesar das conversas realizadas nas últimas semanas, a escolha continua em aberto.
Rogério Marinho apresentou uma posição semelhante, mas afirmou que existe um entendimento para evitar o confronto direto entre os dois.
Segundo o líder da oposição, as negociações deverão resultar na escolha de apenas um candidato, embora tanto ele quanto Tereza continuem trabalhando pela construção de apoios.
O entendimento foi relatado à imprensa pelos próprios parlamentares, mas ainda não representa uma decisão sobre quem disputará o cargo.
A negociação ocorre em um cenário de fragmentação das alianças parlamentares. Enquanto o PL pretende apresentar Marinho como representante da oposição, Tereza Cristina busca apoio entre senadores do PP e de legendas de centro que demonstram resistência à continuidade de Alcolumbre, mas não necessariamente aderem à candidatura do líder bolsonarista.
A posição da senadora também contrasta com a orientação das direções nacionais do PP e do União Brasil. Os dois partidos, que integram a federação União Progressista, anunciaram apoio à reeleição de Alcolumbre.
Mesmo assim, Tereza decidiu manter seu nome em discussão, sinalizando que a definição partidária não encerrou as divergências entre os integrantes da federação.
Além da escolha do candidato, o PL passou a discutir a publicidade dos votos na eleição para o comando do Senado.
Atualmente, a votação é secreta, conforme as regras regimentais da Casa. O sistema permite que os parlamentares escolham o presidente sem divulgar individualmente suas decisões.
Para Rogério Marinho e outros integrantes da oposição, a possibilidade de preservar o sigilo pode favorecer senadores que se elegeram com apoio do bolsonarismo, mas consideram votar pela permanência de Alcolumbre.
A estratégia discutida pelo PL é incentivar manifestações públicas de apoio antes da eleição e avaliar a defesa de mudanças nas regras de votação.
A iniciativa pretende identificar quais senadores estão comprometidos com uma candidatura alternativa e quais poderão apoiar o atual presidente, apesar de pertencerem a partidos ou grupos políticos de oposição.
A discussão ganhou importância após as eleições de outubro, que ampliaram a representação do PL no Senado. A legenda terá 29 das 81 cadeiras a partir de fevereiro de 2027, tornando-se a maior bancada partidária da Casa.
Esse crescimento aumentou o peso do partido nas negociações sobre a presidência, mas não assegura uma votação uniforme de seus integrantes.
Alcolumbre mantém relações com parlamentares de diferentes legendas, inclusive com integrantes do PL, e recebe apoio de setores do governo federal e de partidos de centro.
A possibilidade de dissidências na bancada bolsonarista passou a ser acompanhada pelos articuladores de Rogério Marinho, que procuram transformar o crescimento eleitoral da oposição em maior participação nos espaços de comando do Senado.
A eventual adoção do voto aberto, entretanto, depende de mudanças nas regras aplicáveis. Uma declaração pública de apoio não substitui o registro formal do voto nem elimina o sigilo previsto atualmente no Regimento Interno.
De acordo com as orientações oficiais do Senado, a eleição para a presidência é secreta. Quando há mais de uma candidatura, a votação é realizada por meio de cédulas. Assessoria Senado
A discussão sobre o modelo de votação também ganhou repercussão entre parlamentares que defendem a manutenção das regras atuais. Para esses senadores, o sigilo é uma característica do processo de escolha da Mesa Diretora e não deve ser alterado apenas em função de uma disputa específica.
Já os defensores da publicidade argumentam que a identificação dos votos permitiria maior conhecimento sobre os compromissos políticos assumidos pelos representantes eleitos.
Enquanto a controvérsia avança, Tereza Cristina e Rogério Marinho continuam discutindo alternativas para organizar uma candidatura única.
Uma das possibilidades consideradas pela oposição envolve um entendimento para alternar o apoio entre os dois parlamentares nas eleições de 2027 e 2029.
Nesse formato, um deles disputaria a presidência no próximo ano, enquanto o outro receberia apoio para concorrer ao comando da Casa no biênio seguinte.
O arranjo ainda não foi formalizado e dependeria de uma combinação de fatores, incluindo o resultado da primeira eleição, a composição das bancadas e a disposição dos parlamentares em manter o compromisso político.
Outra alternativa em discussão é a negociação de posições relevantes na estrutura do Senado, especialmente a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O colegiado possui atribuições centrais na análise de propostas legislativas, alterações constitucionais e indicações de autoridades, o que faz de seu comando um dos espaços mais disputados entre os partidos.
As negociações pela presidência do Senado também envolvem o relacionamento da Casa com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Integrantes da oposição criticam a atuação de Alcolumbre na condução de pedidos de impeachment contra ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes. Parlamentares bolsonaristas defendem que a próxima presidência permita o exame dessas iniciativas.
O atual presidente, por sua vez, mantém interlocução institucional com o STF e com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apoia sua recondução.
Essas diferenças passaram a ocupar espaço nas negociações individuais com os senadores, ao lado das discussões sobre a distribuição de cargos, o funcionamento das comissões e a agenda legislativa de 2027.
A definição de uma candidatura única, entretanto, ainda enfrenta dificuldades.
Reportagem da CNN Brasil apontou que uma tentativa anterior de entendimento entre Marinho e Tereza Cristina não resultou na escolha de um nome. Já nesta quarta-feira (4), a Folha de S.Paulo informou que os dois acertaram avaliar mais adiante qual candidatura deverá ser retirada para evitar uma divisão da oposição, embora o ambiente entre aliados permaneça marcado por divergências.
A eleição ocorrerá com a nova composição do Senado, formada pelos parlamentares eleitos em outubro e pelos senadores que permanecem no exercício de seus mandatos.
Com 81 integrantes, a Casa exige maioria absoluta para a escolha de seu presidente. Caso todos os parlamentares participem, serão necessários pelo menos 41 votos para a eleição.
Até lá, as candidaturas continuarão sujeitas a negociações entre as bancadas e a compromissos individuais.
Tereza Cristina mantém o objetivo de disputar o cargo e se tornar a primeira mulher a comandar o Senado. Rogério Marinho procura consolidar o apoio do PL e de outros parlamentares da oposição. Davi Alcolumbre, por sua vez, trabalha pela recondução com apoio de partidos que integram a base do governo e de diferentes setores do Congresso.
Por enquanto, não há candidato único definido pela oposição nem alteração aprovada nas regras de votação. A escolha dependerá das negociações políticas que serão realizadas até fevereiro de 2027.