
Um ex-funcionário do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o empresário citava com frequência uma suposta proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, ao tratar com parceiros e fornecedores comerciais.
Segundo o relato, o lobista mencionava o nome de Lulinha de forma recorrente em reuniões internas e negociações externas, como forma de reforçar influência e prestígio político. A testemunha é considerada peça-chave nas investigações da Operação Sem Desconto, que apura um amplo esquema de irregularidades envolvendo contratos e interesses no INSS e em áreas sensíveis do governo federal.
De acordo com o depoimento, o Careca do INSS teria afirmado que mantinha repasses mensais elevados ao filho do presidente e que teria antecipado valores milionários ligados a projetos nas áreas de saúde e pesquisa, incluindo iniciativas relacionadas à Amazônia e a testes de combate à dengue. A testemunha relatou ainda que o lobista dizia encontrar Lulinha com frequência em São Paulo e no Distrito Federal.
As investigações também levantam a suspeita de que Lulinha teria atuado como sócio oculto em negócios articulados pelo lobista, inclusive em projetos que envolviam o fornecimento de produtos ao Ministério da Saúde, como cannabis medicinal em larga escala.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o Careca do INSS realizou transferências financeiras para Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha e apontada pelos investigadores como parte do núcleo político do esquema. Em uma das comunicações, o lobista teria afirmado que os recursos seriam destinados ao “filho do rapaz”, expressão interpretada pelos investigadores como referência ao filho do presidente.
Mesmo após o avanço das investigações, Roberta manteve contato com o lobista, segundo a Polícia Federal. Em mensagens analisadas, ela demonstra preocupação com a apreensão de documentos que mencionariam um “amigo” comum, em referência ao vínculo sob apuração.
Outros elementos reunidos pela PF indicam que o Careca do INSS enviou encomendas ao endereço onde Lulinha residia em São Paulo e que ambos viajaram juntos, em classe executiva, de Guarulhos para Lisboa, em novembro de 2024. À época, Lulinha negou qualquer relação próxima com o lobista e afirmou desconhecer os fatos.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal e deve ganhar novos desdobramentos a partir da análise de quebras de sigilo e do aprofundamento dos depoimentos colhidos no âmbito da Operação Sem Desconto.