
O governo Lula ganhou um novo capítulo em sua engenharia política com a posse de Gustavo Feliciano no comando do Ministério do Turismo. A nomeação marca, na prática, o retorno de uma ala do União Brasil à base governista, após meses de afastamento institucional e disputas internas no partido. A troca no ministério expõe o peso das articulações no Congresso e reforça a estratégia do Planalto de ampliar sustentação parlamentar de olho no próximo ciclo eleitoral.
Feliciano assume a pasta no lugar de Celso Sabino, que havia sido indicado pelo União Brasil em 2023, mas acabou rompendo com a legenda ao decidir permanecer no governo mesmo após a orientação partidária para deixar cargos no Executivo. A permanência de Sabino levou à sua expulsão do partido e abriu caminho para a reorganização política que culminou na mudança no ministério.
Aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta, Gustavo Feliciano foi indicado por deputados do União Brasil favoráveis à reaproximação com o Planalto. Embora não esteja atualmente filiado ao partido, seu nome simboliza um gesto claro de recomposição política, com compromissos de apoio ao governo no Legislativo. A presença de líderes do União, PP e PSD na cerimônia de posse reforçou o caráter coletivo da movimentação.
Com passagem pela Secretaria de Turismo da Paraíba e trajetória ligada a grupos influentes da política nordestina, Feliciano chega ao ministério defendendo o turismo como vetor de desenvolvimento econômico, geração de emprego e inclusão social. Em seu discurso, destacou a necessidade de ampliar o acesso às políticas públicas do setor e transformar o turismo em ferramenta de redução das desigualdades.
A saída de Celso Sabino, por sua vez, encerra um ciclo marcado pela condução da COP30 em Belém, projeto que o ex-ministro apontava como vitrine para sua futura candidatura ao Senado em 2026. Sua demissão evidencia os custos políticos de contrariar decisões partidárias em um cenário de realinhamento pré-eleitoral.
Mais do que uma simples troca de nomes, a mudança no Ministério do Turismo revela como o governo Lula busca recompor pontes no Congresso e reorganizar sua base aliada, enquanto partidos calibram posições e alianças de olho nas disputas regionais e nacionais de 2026.