
Uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, levou à prisão do vereador Senival Moura (PT-SP), em uma investigação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.
A ação, batizada de Operação Última Parada, foi deflagrada nesta quinta-feira e cumpre uma série de mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes cidades do estado e também em Minas Gerais. Segundo os investigadores, o esquema envolveria lavagem de dinheiro e o uso de empresas de ônibus como estrutura para movimentação de recursos ilícitos.
De acordo com a apuração da Polícia Civil, o parlamentar Senival Moura (PT-SP), que também ocupa cargo de primeiro secretário da Câmara Municipal de São Paulo, teria ligação com a empresa Transunião, uma das operadoras do sistema de transporte público da capital. A investigação aponta que ele exerceria influência na gestão financeira da companhia, mesmo sem constar formalmente como sócio.
A Transunião recebeu, somente entre janeiro e maio deste ano, mais de R$ 180 milhões da Prefeitura de São Paulo em repasses relacionados ao transporte de passageiros. O contrato também inclui investimentos previstos em renovação de frota e eletrificação de ônibus.
Os investigadores afirmam que a empresa teria movimentado centenas de milhões de reais em operações financeiras, com registros de transações consideradas incompatíveis com padrões usuais de transparência. Parte dos valores, segundo o relatório técnico, não teria origem devidamente identificada.
A operação também determinou bloqueio de bens, apreensão de ônibus e afastamento de dirigentes da empresa, além de intervenção administrativa no contrato com a Prefeitura, que passou a ser monitorado pela SPTrans.
O caso se conecta a outras investigações anteriores que já haviam identificado suspeitas de atuação do crime organizado no setor de transporte público da capital, especialmente em empresas que surgiram a partir da reorganização do sistema de perueiros na cidade.
A origem do inquérito remonta a um assassinato ocorrido em 2020, que levou à apreensão de materiais digitais posteriormente analisados pela polícia. Esses documentos teriam revelado indícios de divisão de controle financeiro e operacional dentro da empresa investigada.
As autoridades afirmam que os dados analisados apontam para uma estrutura paralela de gestão, com repasses e decisões financeiras realizadas fora dos canais formais da companhia.
A defesa do vereador Senival Moura (PT-SP) nega qualquer envolvimento em irregularidades e afirma que ele já prestou esclarecimentos às autoridades ao longo das investigações.
A Prefeitura de São Paulo informou que acompanha a operação e reforçou que o serviço de transporte segue em funcionamento normal. O governo municipal também afirmou que adotará as medidas cabíveis assim que houver notificações formais dos órgãos responsáveis pela investigação.