Vereador preso por vínculo com o PCC teve o irmão expulso do PT pelo mesmo motivo

O vereador Senival Moura (PT-SP), preso na última quinta-feira durante operação do Ministério Público e da Polícia Civil contra suspeita de ligação com o PCC, já havia sido alvo indireto de uma crise interna no Partido dos Trabalhadores em 2014 envolvendo seu irmão, o ex-deputado estadual Luiz Moura.
À época, a direção estadual do PT decidiu expulsar Luiz Moura após investigações apontarem sua participação em uma reunião com integrantes da facção criminosa em uma cooperativa de transporte na capital paulista. O encontro teria relação com estruturas ligadas ao setor em que o vereador também atuava politicamente.
Apesar da decisão contra o irmão, Senival permaneceu no partido. A justificativa apresentada pela cúpula estadual do PT naquele período foi a de que não havia elementos suficientes que comprovassem envolvimento direto do vereador com o episódio investigado.
O então presidente do PT em São Paulo, Emídio de Souza (PT-SP), afirmou em 2014 que os casos eram distintos e não poderiam ser tratados da mesma forma, sustentando que as acusações contra Luiz Moura envolviam participação direta em reunião com integrantes do crime organizado, enquanto não havia prova semelhante em relação a Senival.
Anos depois, o nome do vereador voltou ao centro de investigações. Segundo a Polícia Civil, Senival Moura teria ligação com a estrutura operacional da empresa de ônibus Transunião, apontada como parte de um esquema de infiltração do PCC no sistema de transporte público da capital paulista.
De acordo com os investigadores, a empresa teria sido utilizada como instrumento para movimentação financeira ligada a integrantes da facção, com atuação estruturada dentro do setor de transporte urbano.
Com a nova fase da investigação e a prisão do parlamentar, o diretório municipal do PT em São Paulo abriu procedimento no Conselho de Ética do partido. O processo pode resultar em suspensão ou até expulsão de Senival Moura, a depender da avaliação interna sobre os fatos apurados.
A defesa do vereador afirma que ele é inocente e sustenta que a prisão ocorreu em um momento político sensível, negando qualquer envolvimento com atividades ilegais.