Brasil é cobrado por Trump no combate ao tráfico enquanto Venezuela deixa lista de países que falharam

O governo dos Estados Unidos elevou a pressão sobre o Brasil no combate ao narcotráfico. Em documento anual enviado ao Congresso americano, o presidente Donald Trump (Partido Republicano) afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, organizações que Washington classifica como terroristas.
Apesar da cobrança, o Brasil não foi incluído na relação oficial dos 23 países considerados pelos Estados Unidos como grandes produtores ou principais rotas de trânsito de drogas ilícitas. Também não aparece entre os governos classificados formalmente como aqueles que falharam de maneira demonstrável no combate ao narcotráfico.
A avaliação americana, portanto, faz uma distinção importante. O Brasil é citado diretamente no texto por sua atuação diante das duas maiores facções criminosas brasileiras, mas não recebeu a classificação formal aplicada aos países considerados em situação de fracasso no combate às drogas.
Segundo o documento, o governo brasileiro precisa adotar medidas mais firmes contra o PCC e o Comando Vermelho. A administração americana afirma que as duas organizações representam uma ameaça crescente à segurança internacional e acusa as facções de utilizar o território brasileiro como parte de uma estrutura de distribuição de cocaína.
A publicação ocorre em um momento de mudança na política de segurança dos Estados Unidos para a América Latina. A administração Trump vem ampliando a cooperação com governos da região no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas. Peru, Colômbia e Equador estão entre os países que mantêm iniciativas de cooperação com Washington.
Venezuela deixa lista de países que falharam
Uma das principais mudanças do documento foi a retirada da Venezuela da relação de países que, segundo Washington, não demonstraram avanços suficientes no combate às drogas.
A decisão ocorre após a mudança política no país e a intensificação da cooperação entre o governo interino venezuelano e os Estados Unidos. Trump atribuiu a retirada da Venezuela da lista às ações realizadas contra grupos ligados ao narcotráfico e afirmou esperar novos resultados na repressão às organizações criminosas.
A Venezuela, contudo, continua entre os 23 países identificados pelos Estados Unidos como grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas ilícitas. A presença nessa relação não significa, por si só, que Washington considere o governo do país omisso no combate ao narcotráfico. A própria legislação americana estabelece que fatores geográficos, comerciais e econômicos também são considerados para essa classificação.
A saída da Venezuela da lista de países que falharam representa uma mudança em relação à posição adotada por Washington nos últimos anos.
Colômbia permanece sob cobrança
A Colômbia permaneceu na relação de países que, na avaliação americana, não demonstraram avanços suficientes no combate às drogas. O país aparece ao lado de Afeganistão, Bolívia e Mianmar.
O relatório, porém, faz uma distinção em relação ao novo governo colombiano de Abelardo de la Espriella. Washington elogia os compromissos anunciados pela atual administração para combater o cultivo de coca e a produção de cocaína e afirma que poderá retirar a Colômbia da lista caso sejam registrados avanços significativos.
A relação entre os governos colombiano e americano também ganhou novo impulso com a mudança política em Bogotá. A administração Trump avalia que a nova gestão poderá ampliar a cooperação em segurança e combate ao narcotráfico.
Brasil fica fora da lista principal
A situação brasileira é diferente da colombiana. O país não aparece entre os 23 Estados classificados como grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas para os Estados Unidos.
A classificação americana leva em conta fatores como localização geográfica, atividade comercial e rotas internacionais de circulação de entorpecentes. Por isso, estar ou não na lista não representa isoladamente uma avaliação sobre o desempenho de determinado governo no combate às drogas.
Ainda assim, a menção direta ao Brasil representa uma cobrança política e diplomática de Washington. O documento coloca o enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho como uma questão de segurança que, na avaliação americana, ultrapassa as fronteiras brasileiras.
A publicação ocorre em meio a uma aproximação dos Estados Unidos com governos latino americanos dispostos a ampliar a cooperação contra organizações criminosas e o tráfico internacional de drogas. Para o Brasil, a cobrança acrescenta um novo elemento ao debate sobre segurança pública, crime organizado e cooperação internacional.