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Economia

Google fecha maior acordo de remoção de carbono da empresa com projeto no Brasil

Por Brasil no Centro Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16:50 3 min de leitura
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Google fecha maior acordo de remoção de carbono da empresa com projeto no Brasil

O Google anunciou nesta quarta-feira (16) um acordo inédito para ampliar a remoção de carbono da atmosfera, com parte importante do projeto sendo desenvolvida no Brasil. A parceria com a empresa Terradot prevê a retirada de até 2 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, o CO2e, por meio de duas tecnologias diferentes.

O primeiro projeto será implantado no Rio Grande do Sul e deverá começar com ações voltadas à redução das emissões de metano em áreas de cultivo de arroz. Segundo as empresas, a iniciativa poderá alcançar mais de 200 mil hectares até 2030. A expansão para outras regiões brasileiras também está prevista.

A estratégia envolve uma técnica conhecida como irrigação intermitente, na qual os campos de arroz passam por períodos alternados de inundação e drenagem. Além de reduzir o consumo de água, o método diminui a formação de metano nos arrozais, um dos gases associados ao aquecimento do planeta.

A Terradot pretende trabalhar diretamente com produtores gaúchos para ampliar a adoção da prática. A empresa atua no desenvolvimento de soluções voltadas à remoção de carbono e mantém operações no Brasil e nos Estados Unidos.

Outra frente do acordo utiliza o chamado intemperismo acelerado de rochas. A tecnologia consiste na aplicação de pó de rochas vulcânicas trituradas em áreas agrícolas. O material reage com a água da chuva e participa de um processo químico capaz de transformar o carbono presente na atmosfera em bicarbonato, que posteriormente é transportado pelo solo e pela água.

Essa segunda tecnologia tem previsão de remover mais 1 milhão de toneladas de CO2e até 2040. A empresa considera o método uma forma de remoção permanente de carbono, justamente porque o carbono capturado deixa de permanecer diretamente na atmosfera.

O acordo representa a maior compra de remoção de carbono já anunciada pelo Google. O valor financeiro da operação não foi divulgado pela companhia.

A iniciativa ocorre em um momento de forte expansão da demanda por energia provocada pelo avanço da inteligência artificial e pela construção de novos data centers. Esse crescimento também aumentou o desafio ambiental enfrentado pelas grandes empresas de tecnologia.

Dados divulgados anteriormente mostram que as emissões de carbono do Google cresceram 18% em 2025, chegando a 14,4 milhões de toneladas de CO2e. O aumento está relacionado, entre outros fatores, à expansão da inteligência artificial e ao consumo de energia dos centros de processamento de dados.

Desde 2021, o Google mantém a meta de alcançar neutralidade de carbono em suas operações até 2030. Apesar disso, as emissões da companhia cresceram 80% desde 2019, segundo os dados apresentados no levantamento.

O novo acordo busca combinar ações de efeito mais imediato, como a redução do metano produzido em áreas de cultivo de arroz, com uma tecnologia de remoção de carbono de prazo mais longo.

Em comunicado, o Google afirmou que a parceria pretende atuar simultaneamente nesses dois horizontes. Para a Terradot, a combinação das tecnologias permite ampliar a capacidade de remoção e estabelecer padrões comuns para medir os resultados climáticos dos projetos.

O projeto coloca o Rio Grande do Sul no centro de uma iniciativa internacional envolvendo tecnologia, agricultura e redução de emissões. A expectativa é que, após a implementação inicial, as técnicas possam ser levadas a outras áreas do país.