Brasil é o 2º país que mais mata ativistas ambientais, diz ONG

O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores do meio ambiente e da terra em 2025, segundo levantamento divulgado pela ONG Global Witness. O número representa o dobro do registrado no ano anterior e coloca o país na segunda posição entre os mais letais para ativistas ambientais, atrás apenas da Colômbia, que contabilizou 39 mortes no período.
O relatório aponta que a América Latina voltou a concentrar a maior parte dos assassinatos registrados no mundo. Desde 2012, a Global Witness acompanha casos de violência contra pessoas que atuam na defesa da terra, do meio ambiente e dos direitos de suas comunidades. A organização ressalta que os dados podem representar apenas uma parcela dos casos existentes, devido às dificuldades de documentação e verificação.
No Brasil, praticamente todos os casos identificados pela organização, com exceção de um, estariam relacionados a conflitos fundiários. Entre as vítimas estão pequenos agricultores e indígenas envolvidos em disputas pela posse e reconhecimento de territórios. Rondônia e Pará concentraram metade dos assassinatos registrados no país.
A violência contra defensores ambientais não é uma realidade recente. No levantamento referente a 2023, por exemplo, a Global Witness havia registrado 25 assassinatos no Brasil, enquanto a Colômbia contabilizou 79. Naquele ano, a América Latina respondeu por 85% dos casos documentados mundialmente.
O cenário coloca no centro do debate as disputas envolvendo terras, atividades econômicas, comunidades tradicionais e áreas de preservação. Em diferentes regiões da Amazônia e de outras áreas rurais brasileiras, conflitos territoriais podem envolver agricultores, povos indígenas, empresas, grileiros e grupos criminosos, criando ambientes de elevada vulnerabilidade para quem denuncia irregularidades ou reivindica direitos sobre o território.
Em seu relatório, a Global Witness afirma que o número persistentemente elevado de ataques letais evidencia dificuldades dos Estados em garantir proteção adequada aos defensores. A entidade também destaca que os assassinatos não devem ser analisados apenas como episódios isolados, mas dentro de contextos mais amplos de conflitos territoriais e ambientais.
No levantamento global, foram contabilizados 124 assassinatos de defensores ambientais em 2025. Desde o início da série histórica, em 2012, a organização já registrou milhares de mortes e desaparecimentos relacionados à defesa da terra e do meio ambiente. A metodologia da entidade envolve o cruzamento de informações provenientes de diferentes fontes e passa por processos de verificação antes da publicação dos números.
A dimensão da violência também chama atenção pela parcela de indígenas e pequenos agricultores entre as vítimas. Segundo a Global Witness, esses grupos continuam particularmente expostos em regiões marcadas por disputas territoriais e pela presença de atividades econômicas ou grupos que pressionam comunidades locais.
O levantamento reforça ainda uma característica observada pela organização ao longo de mais de uma década: a América Latina permanece como a região com maior concentração de mortes de defensores da terra e do meio ambiente. Colômbia e Brasil aparecem repetidamente entre os países com maior número de casos registrados.
A Global Witness ressalva que suas estatísticas não representam necessariamente o número total de assassinatos ocorridos. Casos não documentados ou que não conseguem ser suficientemente verificados podem ficar fora da base de dados. Por isso, a própria organização considera seus números uma fotografia parcial do problema.