Lula chama filme sobre Bolsonaro de “mequetrefe” e acusa Flávio de receber R$ 130 milhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou nesta quarta-feira (16) o tom das críticas à família Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL) ao comentar as investigações envolvendo o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista ao podcast Desce a Letra, no Palácio da Alvorada, Lula chamou o longa de “mequetrefe” e afirmou que o senador teria recebido R$ 130 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.
A cifra mencionada pelo presidente foi apresentada por ele como questionamento sobre a origem e a destinação dos recursos. Lula afirmou que Flávio deveria explicar onde estaria o dinheiro e associou os valores à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. As declarações foram feitas durante uma entrevista em que o presidente também fez acusações políticas contra integrantes da família Bolsonaro.
Segundo a versão apresentada por Lula, os recursos teriam sido utilizados para manter Eduardo Bolsonaro no exterior. O presidente ainda afirmou que o deputado estaria articulando ações contra o Brasil e classificou a família Bolsonaro de forma pejorativa. Essas afirmações fazem parte do discurso político de Lula e não equivalem, por si só, a uma conclusão das investigações em andamento.
O caso do filme entrou no radar das autoridades depois que mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro indicaram tratativas com Vorcaro para obter recursos destinados à produção. A apuração passou a envolver também suspeitas relacionadas à utilização de emendas parlamentares e à movimentação de recursos por entidades ligadas à produção.
Investigação sobre emendas chegou ao STF
A Polícia Federal deflagrou em 10 de setembro a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a PF, a investigação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em contratos. Os investigadores apontam suspeitas de direcionamento de recursos para empresas subcontratadas sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
O deputado Mário Frias (PL) esteve entre os alvos da operação. A investigação envolve aproximadamente R$ 2 milhões em emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora Karina Gama. Um dos projetos financiados, segundo informações reunidas pela PF e pela CGU, não teria sido executado conforme as metas previstas.
A investigação também alcançou a produtora responsável por “Dark Horse”. O ministro Flávio Dino determinou a retirada do sigilo de documentos apreendidos em apurações relacionadas ao caso e encaminhou o material à Polícia Federal para aprofundamento das investigações.
Defesas contestam suspeitas sobre o filme
Os investigados negam irregularidades. Mário Frias afirma que as emendas foram destinadas legalmente a projetos de letramento digital e sustenta que os recursos não passaram por suas mãos.
Karina Gama também nega irregularidades e afirma que a produção de “Dark Horse” foi financiada com recursos privados. Uma perícia apresentada pela defesa da produtora apontou que os valores analisados teriam origem privada e não identificou, nos documentos examinados, entradas provenientes de recursos públicos.
A existência das investigações, portanto, não representa uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos. As apurações seguem em andamento para determinar a origem, o percurso e a eventual destinação irregular dos recursos.
As novas declarações de Lula ocorrem justamente enquanto o caso ganhou maior repercussão pública após a operação da PF e a divulgação de documentos relacionados às investigações. O episódio acrescenta mais um capítulo à disputa política entre o governo e o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em meio à campanha eleitoral de 2026.