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Na TV, Lula chama traficantes de terroristas

Por Brasil no Centro Publicado em 16 de setembro de 2026 às 15:04 3 min de leitura
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Na TV, Lula chama traficantes de terroristas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (15) que integrantes de facções criminosas podem ser considerados “terroristas para a população brasileira”. A declaração foi dada durante entrevista à TV Record, após o presidente ser questionado sobre a classificação de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Lula fez uma distinção entre a forma como ele utiliza o termo e a classificação adotada pelo governo dos Estados Unidos. Segundo o presidente, o conceito mencionado pelo governo de Donald Trump estaria relacionado ao chamado terrorismo de Estado, enquanto a violência praticada pelo narcotráfico teria outra natureza.

“Não é verdade que eu não chamo de terrorista, não confunda. Eu chamo de terrorista para o povo brasileiro”, afirmou Lula durante a entrevista. Em seguida, explicou que, na sua avaliação, o crime organizado exerce uma forma de terror sobre a população ao controlar territórios e impor regras em comunidades.

“Uma coisa é o terrorismo de Estado, aquele cara que quer derrubar governo. Outra coisa é o terrorismo do narcotráfico e do crime organizado, que só querem dinheiro e são terroristas para a população, porque eles ocupam bairro que é do povo, a rua que é do povo, a vila que é do povo”, declarou.

A fala ocorre em meio à discussão sobre a atuação das facções criminosas no país e às diferenças entre as estratégias adotadas pelo Brasil e pelos Estados Unidos no enfrentamento ao narcotráfico. Washington passou a classificar grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas, o que ampliou o debate sobre as consequências jurídicas e diplomáticas da medida.

Durante a entrevista, Lula também afirmou que pretende apresentar uma ação conjunta de segurança no Rio de Janeiro. Segundo o presidente, o plano deverá reunir o governo federal, o governo estadual e a prefeitura da capital fluminense. A iniciativa deve ser anunciada na sexta-feira (18), no Rio.

O presidente afirmou que a proposta terá como objetivo ampliar a atuação contra traficantes, o contrabando e o tráfico de armas nas áreas mais afetadas pela criminalidade. Lula também voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública e afirmou que, com uma eventual mudança constitucional, o governo federal poderia ampliar sua participação na área.

Entre as medidas mencionadas pelo presidente está a criação de um Ministério da Segurança Pública. Lula também afirmou que seria necessário ampliar os efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal e aumentar os investimentos em inteligência.

A declaração sobre as facções ocorre em um momento de forte debate político sobre segurança pública, tema que ganhou espaço na campanha presidencial de 2026. Ao mesmo tempo, o governo busca diferenciar sua política de segurança da estratégia adotada pelos Estados Unidos, especialmente após a decisão de Washington de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas.

Ao afirmar que os integrantes das facções são “terroristas para a população”, Lula adotou uma definição política para descrever o impacto da atuação desses grupos sobre moradores de territórios dominados pelo crime, mas manteve a distinção em relação ao enquadramento formal utilizado pelos Estados Unidos.